AIEA ganha novo diretor-geral; programa iraniano seguirá sendo prioridade

Jordi Kuhs. Viena, 14 set (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem, desde hoje, um novo diretor-geral, o japonês Yukiya Amano, que comandará o órgão das Nações Unidas a partir de dezembro, tendo como desafio principal a investigação do programa nuclear iraniano.

EFE |

Amano foi confirmado no cargo pelos 150 países-membros da Conferência Geral da AIEA, que esta semana realiza, em Viena, sua 53ª reunião anual.

Como só assumirá oficialmente em dezembro - o mandato do atual diretor-geral, o egípcio Mohamed ElBaradei, termina em 30 de novembro -, Amano se recusou hoje a dar sua opinião sobre o conflito nuclear com o Irã.

O japonês limitou-se a destacar a importância do diálogo para a solução do conflito. "Espero que haja um bom marco para o diálogo com o Irã", disse o diplomata sobre as conversas que a comunidade internacional iniciará com Teerã em 1º de outubro.

O conflito nuclear com a República Islâmica será, com toda probabilidade, o principal assunto de pelo menos metade dos quatro anos do mandato de Amano.

Numa entrevista coletiva, o japonês disse que a AIEA tem capacidade para "tratar de assuntos globais", sejam políticos, energéticos e de saúde. Para isso, no entanto, a agência "deve ser imparcial, profissional e confiável", destacou.

Amano, de 62 anos, acrescentou que o mundo enfrenta "um crescente risco de proliferação e terrorismo nuclear, além de uma crescente demanda por energia e da preocupação com as progressivas emissões de gases poluentes" causadores do efeito estufa.

"Estes desafios são assuntos globais e a AIEA tem habilidade e responsabilidade para fazer frente a eles com o uso de energia nuclear", afirmou o novo diretor-geral da agência.

Por sua vez, ElBaradei destacou hoje, em seu último discurso na Conferência Geral da AIEA, que só o diálogo pode solucionar o conflito iraniano.

O egípcio também pediu mais poderes para que o órgão passa evitar a proliferação de armas nucleares. Isso, segundo o diplomata, faria a agência parar de depender de sanções que não costumam funcionar e só prejudicam "os mais vulneráveis e inocentes".

Ao fazer um retrospecto dos 12 anos que passou à frente da AIEA, ElBaradei lamentou o fato de que, "apesar de a AIEA e a ONU terem divulgado informações imparciais e fáticas que indicavam a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, uma guerra foi lançada contra esse país".

"Lições importantes têm de ser aprendidas com o Iraque e a Coreia do Norte. A primeira é que temos de deixar a diplomacia e a fiscalização exaustiva seguirem seu curso, sem importar o quão longo e pesado seja o processo", acrescentou.

A disputa gerada pelo programa nuclear iraniano já está há seis anos em aberto e ainda há "várias questões" pendentes, além de "acusações que lançam dúvidas sobre a natureza pacífica" das aspiração nucleares do país, destacou o egípcio.

Essas dúvidas só poderão ser esclarecidas com a colaboração de Teerã e com a "criação de uma relação de confiança" por meio do diálogo, disse o diplomata.

Já o Irã demonstrou hoje sua disposição em dialogar sobre o programa nuclear nacional, mas descartou a imposição de pré-condições e de ameaças militares contra o país.

Durante a conferência da AIEA, o novo vice-presidente e principal encarregado do programa nuclear iraniano, Aliakbar Salehi, declarou que Teerã colaborará com a agência e continuará permitindo inspeções em suas instalações nucleares.

Por outro lado, ele criticou a "arrogância" daqueles que querem que o Irã renuncie a seu "legítimo direito" ao uso da energia atômica.

"Mais ainda, estamos sendo continuamente ameaçados com ataques contra nossas instalações nucleares", denunciou Salehi em referência a Israel e Estados Unidos. EFE jk/sc

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