AIEA exibe fotos de suposto trabalho do Irã com míssil nuclear

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - A agência nuclear da ONU apresentou na terça-feira documentos e fotos sugerindo que o Irã tentou secretamente modificar um míssil para receber uma bomba atômica, disseram diplomatas. Teerã disse que o material é fraudado.

Reuters |

O Irã se queixou de que a AIEA estaria exigindo a revelação de segredos militares sem ligação com a questão nuclear, o que pode inviabilizar a investigação da agência sobre o programa nuclear da República Islâmica, que o Ocidente suspeita que tenha finalidades militares -- algo que o país nega.

A AIEA quer que o Irã esclareça o material de inteligência que estabelece relações entre os projetos iranianos de processamento de urânio, testes de explosivos e alterações em seu míssil de longa distância Shahab 3 para que possa receber armas nucleares.

O Irã nega tal relação, mas a AIEA diz que isso deveria ser comprovado com o acesso a instalações, documentos e funcionários relevantes.

Herman Naeckerts, chefe de inspeções da AIEA no Oriente Médio, prestou informação na terça-feira à direção da agência, que se reúne na semana que vem para provavelmente reforçar a pressão sobre o Irã.

O embaixador dos EUA na AIEA, Gregory Schulte, disse que Naeckerts apresentou fotos e diagramas sobre adaptações no Shahab-3, 'para carregar o que pareceria ser uma arma nuclear'.

Outros diplomatas presentes disseram que Naeckerts enfatizou que a informação não havia sido verificada. 'A apresentação dele foi profissional e equilibrada', disse um deles.

Um outro diplomata disse que alguns dos 35 países da direção da AIEA questionaram a competência da agência para analisar dados de inteligência relativos a mísseis balísticos e explosivos avançados.

O Irã insistiu que as informações são forjadas ou relativas apenas a armas convencionais. O país disse sofrer uma pressão extraordinária e inaceitável para desmentir acusações não-comprovadas, e que dessa forma revelaria informações vitais para sua segurança.

'Nenhum país daria informações sobre nossas atividades militares convencionais', disse o embaixador do Irã na AIEA, Ali Ashgar Soltanieh.

'Eu disse nessa reunião: 'Quem no mundo acreditaria que havia uma série de documentos ultra-secretos que a inteligência dos EUA achou um laptop relativo a [um programa de armas] nucleares no Irã, e que nenhum desses documentos portava os selos de 'altamente confidencial' ou 'secreto'?. A questão está encerrada, no que nos diz respeito', afirmou.

Na segunda-feira, a AIEA divulgou um relatório em que anunciava a investigação sobre atividades militares e acusava o Irã de contar com 'expertise estrangeira' nos experimentos para um detonador nuclear.

Diplomatas bem informados disseram que tal ajuda não parece ter vindo nem de um governo, como da Coréia do Norte, nem da rede de contrabandistas nucleares ligada ao paquistanês A.Q.

Khan, que já ajudou o Irã no passado. A ajuda estaria vindo de outros 'atores não-estatais'.

A AIEA exigiu explicações do Irã.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG