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AIEA diz que considerar programa nuclear do Irã uma ameaça é exagero

Viena, 2 set (EFE).- A ameaça atribuída ao programa nuclear do Irã é um exagero, já que o país não tem capacidade para fabricar armas deste tipo a curto prazo, nem há indícios de que pretenda produzir, segundo o diretor da agência atômica das Nações Unidas, o egípcio Mohamed ElBaradei.

EFE |

"Não vimos provas concretas de que Teerã tenha um programa de armas nucleares em andamento. Mas, de alguma maneira, muitas pessoas estão falando que o programa nuclear do Irã é a maior ameaça para o mundo. Em muitos sentidos, acho que a ameaça é exagerada", afirma ElBaradei, em entrevista publicada pela revista "Bulletin of the Atomic Scientists".

Os Estados Unidos e seus aliados europeus suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo um programa nuclear militar sob a desculpa de serem pesquisas meramente civis e pedem o fim de seus trabalhos de enriquecimento de urânio.

O Irã se nega a parar suas pesquisas nucleares e o Conselho de Segurança da ONU já impôs sanções econômicas e diplomáticas ao país, como medida de pressão.

"A ideia que amanhã o Irã terá uma arma nuclear não está apoiada pelos fatos que vimos até o momento", ressalta ElBaradei.

Mesmo assim, o diretor da ONU afirma que o Irã deve ser mais transparente com a comunidade internacional e que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sob seu comando, tem preocupações sobre as intenções do regime iraniano.

ElBaradei, que deixará seu cargo em novembro, após 12 anos à frente da AIEA, acredita que "o uso da força e o isolamento levam a uma expansão dos programas nucleares e não a uma diminuição", pois os regimes ameaçados enxergam o armamento atômico como o último recurso para manterem sua segurança.

"Infelizmente, vivemos em um mundo onde as armas nucleares são consideradas o supremo fiador da segurança. Vejam o conceito de segurança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). As armas nucleares são exaltadas. Recentemente, disse ao órgão que estava enviando os sinais equivocados", afirma o diretor da AIEA.

Para ele, "o único caminho a seguir" para resolver a polêmica com o Irã é o início do diálogo entre Washington e Teerã, proposto pelo presidente americano, Barack Obama.

O diretor acredita que a negociação nos casos da Coreia do Norte e do Iraque originou mais frutos que as sanções, que, na maioria dos casos, têm um impacto negativo para a população civil. EFE ll/pd

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