AIEA critica Irã e Síria por prejudicar investigações nucleares

Jordi Kuhs. Viena, 2 mar (EFE).- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, criticou hoje em Viena o Irã e a Síria por não cooperarem o suficiente com a investigação da ONU sobre suas atividades nucleares.

EFE |

Na abertura de uma reunião dos 35 países-membros do Conselho de Governadores do organismo nuclear das Nações Unidas, ElBaradei manifestou que seus inspetores não conseguiram esclarecer as possíveis dimensões militares das atividades atômicas iranianas, o que classificou como "lamentável" e "preocupante".

Por isso, pediu a Teerã para tomar medidas que deem confiança e para "desbloquear a estagnação" na investigação de seu controvertido programa nuclear.

Em todo caso, expressou sua esperança de que uma nova iniciativa para dialogar com o Irã "dará novo ímpeto" aos esforços para resolver esta polêmica.

Ele referiu-se assim à recente oferta de Barack Obama, de negociar com Teerã, até porque esta é a primeira reunião do órgão desde que o presidente dos Estados Unidos assumiu o cargo, em janeiro.

Segundo o último relatório da AIEA, o Irã já produziu mais de uma tonelada de urânio pouco enriquecido, motivando a desconfiança de que estaria em condições de construir sua primeira bomba atômica.

O Irã insiste em que seus trabalhos nucleares só têm fins pacíficos, como a geração de energia elétrica, enquanto as principais potências mundiais estudam adotar novas sanções contra Teerã por sua falta de cooperação.

Por outra parte, ElBaradei criticou também a Síria por não colaborar com os inspetores internacionais para esclarecer a origem de numerosas partículas de urânio produzido em processo químico encontradas em Al Kibar, uma instalação bombardeada por Israel em 2007 e visitada por inspetores da AIEA em junho do ano passado.

Por isso, pediu a Damasco que permita maior acesso a outros locais relacionados com Al Kibar e pediu mais documentação sobre o uso passado dessa instalação, o que segundo ele seria um "sinal de transparência".

Os analistas do organismo também encontraram restos de grafite, material que costuma ser usado em reatores nucleares, o que intensificou ainda mais as suspeitas.

Estados Unidos e Israel afirmam que a Síria iria construir um reator nuclear com a ajuda de engenheiros norte-coreanos.

Damasco nega estas alegações e afirma que se trata de uma instalação militar convencional.

A Síria também aelga que os restos de urânio achados procedem das bombas usadas por Israel no ataque, algo que o diretor-geral da AIEA avaliou hoje como "pouco provável".

Os 35 países-membros da AIEA também analisarão a sucessão de ElBaradei, cujo terceiro mandato se encerra este ano.

Os dois candidatos são o japonês Yukiya Amano e o sul-africano Abdul Samad Minty, ambos representantes permanentes de seus respectivos países na AIEA.

Se nenhum dos dois conseguir nos próximos meses o apoio de dois terços dos membros do Conselho de Governadores, um terceiro candidato poderá ser incluído na disputa.

Segundo fontes diplomáticas em Viena, entre esses aspirantes, estão o chileno Milenko Skoknic, atual embaixador de seu país na AIEA, e o argentino Rogelio Pfirter, diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). EFE jk/jp

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