AIEA conclui investigação sobre programa nuclear militar da Líbia

Viena, 12 set (EFE) - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou hoje que concluiu sua investigação sobre o programa nuclear militar da Líbia, cujas atividades clandestinas eram mais sofisticadas que o previsto, mas as capacidades e trabalhos atuais já não têm relação alguma com o desenvolvimento de armas atômicas. Em um relatório confidencial, ao qual a Agência Efe teve acesso em Viena, o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, afirma que o país africano tinha vários desenhos de instalações para produzir plutônio e urânio enriquecido, dois materiais usados para construir bombas nucleares. Concretamente, a Líbia contava com os desenhos para um laboratório de separação radioquímica, com o que poderia ter produzido 10 quilos de plutônio por ano, uma quantidade suficiente para fabricar uma ou duas bombas atômicas. Além disso, os engenheiros líbios tinham adquirido na metade dos anos 1980 informação sobre a construção de centrífugas de gás para produzir urânio enriquecido e, em 1995, os compostos para construir vários equipamentos. Em todo caso, os inspetores da AIEA constataram que o país africano, liderado por Muammar Kadafi, nunca chegou a dar passos concretos para construir essas instalações. Os desenhos e materiais foram entregues à Líbia pela rede clandestina de tráfico nuclear do engenheiro paquistanês A.Q.

EFE |

Khan, com quem os líbios tiveram contato a partir de 1984, dez anos antes do imaginado até então.

As revelações sobre as ligações dessa rede clandestina têm relevância para a investigação dos programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte, que também tiveram contatos com Khan, principal responsável da bomba atômica do Paquistão.

A Líbia surpreendeu o mundo em 2004 ao reconhecer que tinha suspendido seu programa nuclear militar clandestino, que, a seguir, foi desmantelado sob a supervisão da AIEA.

O organismo internacional, com sede na capital austríaca, anunciou hoje que seguirá realizando controles rotineiros no país norte-africano. EFE jk/db

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