AIEA aprova resolução que critica programa nuclear de Israel

VIENA - A Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou nesta sexta-feira, em Viena, pela primeira vez desde 1991, uma resolução que critica abertamente o programa nuclear de Israel.

Redação com agências internacionais |

O texto, promovido pelos países árabes, expressa sua "preocupação" com as capacidades atômicas de Israel, um país suspeito de ter, desde o final dos anos 1960, um arsenal atômico não declarado.

Além disso, a resolução pede que Israel se integre no Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e permita que a AIEA inspecione suas instalações nucleares.

O texto recebeu o apoio de 49 países-membros da AIEA, enquanto 45 votaram contra e 16 se abstiveram.

Dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia votaram a favor, enquanto França, Reino Unido e EUA optaram contra.

Entre as abstenções, destacaram-se as de vários países latino-americanos, como Brasil, Chile, Uruguai, Argentina e Peru, enquanto Venezuela, Equador e Cuba votaram a favor.

A resolução, rejeitada por todos os países da União Europeia (UE) e EUA, fala também da "preocupação" sobre a ameaça da proliferação de armas nucleares para a segurança e estabilidade do Oriente Médio, mas não menciona explicitamente Israel.

A delegação de Israel disse hoje, após o voto, que "lamenta a resolução" e anunciou que "não cooperará" com a mesma.

"Indicar Israel é contraproducente para gerar a confiança necessária para alcançar a paz e a estabilidade na região", disse o representante israelense David Danieli.

Esta opinião foi compartilhada pelos Estados Unidos e pela Presidência da UE - nas mãos da Suécia -, que criticaram o fato de ressaltar um país do Oriente Médio, uma zona onde, no passado e atualmente, outros realizaram atividades nucleares suspeitas.

O Irã expressou sua satisfação com a aprovação da resolução e falou de um "momento de glória e triunfo".

A última vez que uma resolução deste tipo foi adotada na Conferência Geral da AIEA foi em 1991, mas em uma versão mais severa que a aprovada hoje.

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