AIEA apóia uso de radiação para modificar plantas no combate à fome

Viena, 2 dez (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fez hoje uma chamada para o aumento dos investimentos em técnicas de mutação de plantas por radioatividade, a fim de tirar milhões de pessoas da situação de fome.

EFE |

Em comunicado divulgado em Viena, a AIEA afirma que, desde os anos 20, os cientistas fizeram experimentos expondo plantas a radiações para conseguir mutações e obter exemplares mais resistentes a condições meteorológicas adversas.

Estas plantas, cuja produção é barata e segura - ressalta a AIEA -, também são mais resistentes a certas doenças e insetos, acrescenta a agência nuclear da ONU, que tem um laboratório perto de Viena para esse tipo de experimento.

"A natureza global da crise alimentar não tem precedentes.

Famílias do mundo todo estão lutando para poder se alimentar", afirma o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, na nota.

"Para oferecer soluções sustentáveis a longo prazo, devemos fazer uso de todos os recursos possíveis. Mas não fomos capazes de dar o apoio e o investimento necessários para uma aplicação universal", acrescenta ElBaradei.

A AIEA afirma, em seu comunicado, que cerca de 3 mil mutações diferentes de aproximadamente 170 plantas já foram obtidas através de intervenções diretas da agência nuclear.

Estas plantas incluem uma variedade de cevada que é produzida no Peru a uma altitude de mais de 5 mil metros acima do nível do mar, assim como cereais, favas, oleaginosas e tubérculos cultivados em outros 60 países.

Segundo a AIEA, este tipo de planta oferece os alimentos necessários para a população, assim como milhões de dólares em lucro para os agricultores locais, especialmente nos países em vias de desenvolvimento.

No entanto, as mutações induzidas não resolverão a crise alimentar mundial, ressaltou Pierre Lagoda, responsável do departamento genético e de desenvolvimento das plantas da AIEA.

"É outra ferramenta, como os OGM (organismos geneticamente modificados)", disse o especialista, ao destacar que as mutações são um processo que já existe na natureza.

"Com as mutações induzidas (por radiações), nós estamos acelerando este processo", conclui Lagoda.

Ao contrário da modificação genética, que introduz novos elementos no mapa genético das plantas, a mutação acelera um processo natural. EFE jk/an

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