AIE revisa para baixo expectativas sobre demanda mundial de petróleo

Paris, 1 jul (EFE).- A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo suas expectativas sobre a demanda mundial de petróleo nos próximos cinco anos, mas advertiu que isso não impedirá que o mercado continue tenso, já que a margem de produção excedente também será menor do que o previsto.

EFE |

Em seu relatório anual de previsões a médio prazo, divulgado hoje, a AIE afirmou que o arrefecimento da economia explica um crescimento menor do que o esperado tanto para este ano quanto para o próximo.

Isto coincidirá com um leve aumento das capacidades de extração de petróleo, que ficará entre 1,5 e 2,5 milhões de barris diários até 2010.

No entanto, o número voltará a diminuir a partir desse último ano, chegando a valores mínimos, inferiores a um milhão de barris diários de progressão em cada um dos três anos seguintes, justamente para quando é esperada uma nova aceleração do consumo.

Por sua vez, a margem excedente de produção aumentará para um teto de 4,2 milhões de barris diários em 2009 antes de baixar para níveis mínimos, em torno de um milhão de barris, a menos que projetos de poços adicionais sejam iniciados.

A AIE ressaltou que os elevados preços do barril são justificados pelos "fundamentos do mercado", e rebateu os argumentos que tentam explicá-los por movimentos especulativos.

A especulação - argumentaram os autores do estudo - pode pesar na cotação pontual do petróleo, mas não pode ser mantida durante um longo período de tempo sem que os desequilíbrios se tornem evidentes, e a avaliação atual das reservas físicas "deixa claro que não houve uma acumulação de reservas com fins especulativos".

A escalada de preços é necessária na estreita margem que há entre a oferta e a demanda, as limitações das capacidades de refino e um consumo particularmente forte de um número reduzido de derivados de petróleo.

A AIE afirmou que a evolução dos preços teve a ver em grande parte com os fracos resultados das tentativas de pôr mais petróleo no mercado por parte dos produtores que não pertencem à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), uma tendência que continuará nos próximos cinco anos.

No futuro, a organização composta pelos principais países consumidores de energia membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) calculou que a demanda mundial de petróleo progredirá a um ritmo de 1,6% entre 2008 e 2013, quase exclusivamente devido às economias emergentes.

Isso significa que, neste último ano, estará situada em 94,14 milhões de barris diários.

Quase 90% dessa alta virá de três regiões: Ásia, Oriente Médio e América do Sul. Só a China e a Índia representarão quase metade. Já o consumo nos países desenvolvidos será mantido praticamente estagnado.

Este cenário está sujeito a possíveis variações, sobretudo pelo impacto sobre a economia global do arrefecimento econômico dos Estados Unidos. Mas a AIE garantiu que "é importante assinalar que também há riscos ao abastecimento".

A divergência na evolução entre os diferentes países significará que, por volta de 2015, o consumo total de petróleo nos emergentes será equivalente ao observado em "economias maduras".

Os autores do estudo destacaram que os biocombustíveis continuarão com um crescimento significativo e aumentarão seu fornecimento, de aproximadamente 1,35 milhão de barris diários este ano, para 1,95 milhão em 2013.

Reconheceram que embora não seja possível culpá-los integralmente pela recente alta do preço dos alimentos, "é inegável que eles têm impacto".

Mas também advertiram que, caso fosse necessário compensar o consumo de biocombustíveis com mais petróleo, levando em conta as dificuldades para processar mais pela estreiteza das margens atuais, os preços do barril seriam "muito mais elevados".

A AIE constatou que foi identificada uma série de projetos de extração, para depois de 2013, que poderiam fornecer um abastecimento suplementar nos anos seguintes caso os impedimentos técnicos e logísticos fossem sanados a tempo. EFE ac/fh/gs

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