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Aids se propaga na A.Latina devido a enorme atraso na prevenção, diz ONU

Alberto Cabezas México, 2 ago (EFE).- Os Governos da América Latina e do Caribe encaram o desafio de destinar mais fundos para o combate à aids em uma região com 1,83 milhão de infectados - número que não pára de crescer, devido a um enorme atraso em matéria de prevenção.

EFE |

Para debater novas propostas, acontecerá a 17ª Conferência Internacional sobre Aids ("Aids 2008"), a partir do próximo domingo, no México. Será a primeira edição do evento a ser realizada em um país latino-americano.

O encontro, segundo os próprios organizadores, representará uma "grande oportunidade" de se chamar a atenção para a excessiva carência da cooperação internacional no combate ao problema na região.

Essa opinião é compartilhada, entre outros, pela chilena Raquel Child, especialista em prevenção à aids do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Em entrevista à Agência Efe, Raquel afirmou que o Brasil, apesar de concentrar um terço dos casos de HIV na América Latina, foi um dos países que "mais se comprometeu com o fim da epidemia desde o início", com recursos próprios e empréstimos do Banco Mundial (BM).

A incidência da aids entre latino-americanos diminuiu devido à grande difusão do tratamento com antiretrovirais, que dá cobertura a 70% dos infectados, o que situou a mortalidade anual na região em 58 mil em 2006.

No conjunto da América Latina, onde há 1,6 milhão de pessoas com o vírus HIV, o contágio mais comum está ligado a homossexuais e à prostituição.

Os indicadores mostram que em quase todos os países a doença aparece de forma "concentrada", ou seja, afeta menos de 1% da população geral e mais de 5% dos grupos considerados "de risco" ou mais vulneráveis.

A Bolívia é o único país onde a aids pode ser considerada "incipiente", enquanto em Honduras, Panamá e Belize é "generalizada" (mais de 1% da população geral infectada), segundo Raquel.

O maior problema, segundo a especialista chilena, reside no fato de que "o número de pessoas infectadas por ano supera o das que iniciam tratamento".

A especialista do UNFPA destacou também o avanço na viabilização "das necessidades das comunidades homossexuais e o respeito a seus direitos".

No entanto, um obstáculo habitual é o machismo reinante, "que despreza e rejeita qualquer outra expressão de masculinidade diversa" e dificulta a prevenção, acrescentou.

Destinar mais fundos nos orçamentos nacionais para o combate ao HIV e ampliar a qualidade dos programas de prevenção são outros desafios pendentes.

Contribuíram muito para a melhora dos índices de mortalidade por aids nos últimos anos a sociedade civil e os grupos afetados, "que atuaram para mobilizar vontades e financiamento", em contraposição aos Governos, "muito mais lentos em responder", completou Raquel.

A especialista também atribuiu esse atraso ao peso da Igreja Católica e de outros credos na região.

"As propostas de abstinência, uso de preservativo e fidelidade não são suficientes. Para ter respostas com mais qualidade, temos de dar um salto em conhecimento das culturas sexuais (...) e construir respostas preventivas", avaliou a especialista do UNFPA, que diferenciou ainda o que ocorre no Caribe do resto da América Latina.

Os países caribenhos, que juntos registram 230 mil portadores do vírus HIV, são, depois da África Subsaariana, "a região do mundo mais afetada pela epidemia da aids" entre adultos, com altas taxas de contágio entre heterossexuais.

A característica da região é que "a mulher está em uma situação de absoluta desigualdade com relação ao homem", o que se manifesta em situações tão graves como a do Haiti, com duas infectadas por cada homem portador do vírus.

Em conjunto, a incidência média do HIV na América Latina é de 0,6%. No entanto, há países onde essa percentagem aumenta no caso de grupos específicos: para até 12% entre prostitutas e em torno de 30% entre homens homossexuais. EFE act/fr

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