Genebra, 25 jun (EFE) - A aids é um enorme desastre cujo alcance poderia ter sido evitado, e para tentar frear a doença, essa deve ser incluída nos planos dos Governos e organizações para o preparo frente a catástrofes e tragédias.

Esta é uma das principais mensagens do Relatório Mundial sobre Desastres 2008 publicado hoje pela Cruz Vermelha e que este ano se dedica especialmente ao vírus HIV, causador da aids, que infecta atualmente 33 milhões de pessoas no mundo todo.

Em entrevista coletiva, uma das autoras do relatório, Lindsay Knight, afirmou que "o estigma, a ignorância e a falta de ação política" levaram a milhões de mortes que poderiam ter sido evitadas.

Ela lembrou que, "segundo o Unaids (Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), desde que começou a epidemia, em 1981, 25 milhões de pessoas morreram, e sete mil pessoas são infectadas com o vírus todos os dias".

"Milhões de vidas poderiam ser salvas se os líderes religiosos e políticos adotassem ações" para que se dê prioridade a esta doença e voltadas a colocar fim ao estigma.

O Relatório da Cruz Vermelha considera a aids como "um desastre" devido às caóticas conseqüências da doença.

Nos países mais afetados da África Subsaaariana, onde as taxas de incidência chegam a 20%, a expectativa de vida da população caiu à metade, e as conquistas em desenvolvimento foram reduzidas.

Além disso, os desastres naturais e os provocados pelos homens, como guerras e conflitos, interrompem os serviços básicos e intensificam outros fatores de propagação da epidemia.

"Após uma catástrofe, como um terremoto, por exemplo, nada funciona e há poucas possibilidades de realizar medidas de prevenção da aids", disse o especialista.

Em casos de violência e conflitos, acrescentou, ocorrem crimes como estupro de mulheres e meninas que contribuem para espalhar a epidemia.

Vários especialistas que participaram do relatório destacaram que "não criminalizar" os portadores de HIV é uma das chaves para evitar a propagação, e, por isso, fizeram um apelo aos Governos para que o vírus seja incorporado em todas as formas de ajuda humanitária.

A Aids é a quinta principal causa de mortalidade nos países de renda média, a a terceira nos de baixa renda, e a primeira na África Subsaariana.

Esta última região contabiliza quase dois terços do número mundial de pessoas soropositivas, segundo o Unaids.

O relatório destaca as catastróficas conseqüências, não só em saúde, mas sociais e econômicas, para muitos países da África, com exemplos como que Botsuana perdeu a causa da aids, entre 1999 e 2005, 17% da força de trabalho no setor da saúde.

Ou que, na África do Sul, 21% dos professores de idades compreendidas entre 25 e 34 anos vivem com HIV. EFE vh/db

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