Aiatolá Khamenei exige fim de mobilizações

Javier Martín. Teerã, 19 jun (EFE).- O líder supremo da revolução iraniana, o aiatolá, Ali Khamenei, voltou a apoiar a polêmica vitória nas eleições do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

EFE |

Em discurso feito com base nos dois pilares principais da política externa do Irã - "Morte aos Estados Unidos, Morte a Israel" - a máxima autoridade iraniana alertou à oposição para que dê um fim imediato às mobilizações.

"Os confrontos nas ruas são inaceitáveis. É um desafio à democracia depois da conclusão das eleições", ressaltou Khamenei diante de dezenas de milhares de pessoas que compareceram hoje à Universidade de Teerã.

O líder supremo disse tanto a Ahmadinejad, quanto aos três candidatos derrotados que eles serão "os responsáveis do caos" se os protestos continuarem.

"É um erro acreditar que com movimentos de rua se consiga que os responsáveis do sistema iraniano atuem a favor de seus interesses.

Se os atos continuam voltarei a falar de forma mais clara", ameaçou.

O aviso foi dado um dia depois que a oposição convocou para amanhã outra grande jornada de protestos, para qual convidou iranianos de todo o país.

O Irã, há uma semana, é palco de grandes manifestações e enfrentamentos entre as Forças de Segurança - apoiadas pela milícia islâmica Basij - e a oposição, que denunciou uma fraude nas eleições presidenciais realizadas na sexta-feira passada.

Segundo fontes oficiais, pelo menos oito pessoas morreram nos enfrentamentos, embora outras informações apontem que esse número seja maior.

Khamenei acusou nesta sexta-feira os EUA e Israel de serem os causadores desses distúrbios e culpou diretamente a imprensa anglo-americana de instigá-los.

"Os inimigos têm como objetivo conquistar a confiança do povo iraniano em seu sistema. Eles nos atrapalham" com alegações falsas como a suposta fraude eleitoral, disse.

A máxima autoridade do sistema teocrático iraniano deixou claro que não existe "fraude eleitoral", porque "a diferença foi superior a 11 milhões de votos", embora tenha admitido que uma série de irregularidades poderia ter acontecido.

"Os candidatos são responsáveis perante Deus. Os protestos gerados pelos resultados eleitorais só devem ser realizados por vias legais", afirmou.

Os três candidatos levantaram 646 queixas formais sobre o desenvolvimento das eleições ao Conselho de Guardiães, órgão que deve validar os resultados.

O Conselho, integrado por seis clérigos e seis juristas, anunciou que fará uma apuração parcial dos votos, embora ainda não saiba a porcentagem de urnas afetadas e quanto tempo levará para o veredicto ser anunciado.

Nas ruas próximas à Universidade de Teerã, centenas de milhares de pessoas escutaram as declarações de Khamenei sob o sol e a chuva, sentados sobre tapetes e jornais.

Desde a manhã, dezenas de ônibus e carros levaram uma multidão de pessoas que, de todos os pontos do país, se dirigiram para emblemática Avenida Equelab, que ficou lotada.

A maioria levou fotos do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, e do próprio líder, que subiu ao palanque excepcionalmente hoje na Universidade de Teerã para dar o sermão de sexta-feira.

Com a chegada de Khamenei à Universidade, uma multidão gritou "mataremos quem atacar Khamenei" e "pelo líder daremos nosso sangue" diante da imprensa internacional, que hoje voltou a ter permissão para cobrir os eventos na rua.

"Vim defender o Governo das mentiras contadas no Ocidente", disse um operário à Agência Efe, que foi assistir o discurso em um ônibus que veio da cidade de Karaz, a 25 quilômetros de Teerã.

Alguns metros além, na frente da porta da Universidade, Ali Mejedi, veterano da guerra do Iraque, resumiu a multidão: "a revolução é nossa". EFE jm-msh/pd

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