Aiatolá iraniano pede ao Judiciário que suporte pressões externas

Teerã, 14 ago (EFE).- O aiatolá conservador Ahmad Khatami pediu hoje ao Poder Judiciário para se manter firme em suas acusações de complô externo e resistir às pressões que vierem do exterior.

EFE |

No habitual sermão das sextas-feiras, considerado a tribuna política do regime iraniano, o clérigo insistiu em que tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido e outros países estrangeiros fomentaram os distúrbios que começaram no Irã após a polêmica reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

"É certo que algumas embaixadas no Irã, em particular a embaixada do Reino Unido, estão vinculadas aos distúrbios e seus funcionários participaram deles", disse Khatami, citado pela agência de notícias "Isna".

"O Poder Judiciário fez bem em julgar aqueles que provocaram insegurança... Esperamos que o Governo e o Ministério de Assuntos Exteriores deem uma forte resposta a estes arrogantes", acrescentou no púlpito da Universidade de Teerã.

Khatami criticou o comunicado emitido pela Presidência da União Europeia sobre os julgamentos no Irã e reiterou que "é uma vergonha para um Governo estrangeiro que seus funcionários participem de manifestações ilegais".

Segundo números oficiais, cerca de 30 pessoas morreram e quatro mil foram detidas durante os confrontos, dos quais o Irã acusa o Ocidente.

Mais de 100 detidos enfrentam um julgamento em massa, no qual também se julga por espionagem a francesa Clotilde Reiis e dois empregados locais das embaixadas da França e do Reino Unido no Irã.

A oposição, que não aceitou os resultados, afirma que os mortos chegam a 69 e denuncia graves abusos contra os detidos.

Khatami ressaltou hoje que "a nação iraniana espera que o Poder Judiciário resista à pressão dos países europeus que perseguem".

O aiatolá também criticou o clérigo reformista Mehdi Karroubi, um dos três candidatos presidenciais derrotados, que denunciou abusos sexuais nas prisões.

As acusações do ex-candidato "fazem felizes Israel, Estados Unidos e outros inimigos... Sua carta danificou o prestígio do sistema", afirmou, "Esperamos que o sistema islâmico faça frente da forma adequada", ameaçou o clérigo.

Karroubi denunciou a existência de "abusos sexuais" nas prisões iranianas em carta enviada ao ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani divulgada pela imprensa local no domingo.

Os abusos foram negados nesta terça-feira pelo presidente do Parlamento, Ali Larijani. EFE msh/db

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