Teerã, 19 jul (EFE).- Um membro do Conselho de Guardiães, principal órgão legislativo iraniano, acusou o aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani de cometer um grave erro ao dizer que a legitimidade do Governo islâmico depende do povo.

O jornal "Aftab-Yazd" informou que o aiatolá Mohamad Yazdi, ex-chefe do Poder Judiciário e atual membro do Conselho de Guardiães, criticou duramente as declarações de Rafsanjani durante o sermão oficial de sexta-feira de Teerã.

"A legitimidade do Governo islâmico, segundo a jurisprudência do Islã e o xiismo, procede de Alá e o povo aceita", disse o clérigo, membro da linha dura do regime de Teerã.

Rafsanjani, ex-presidente do país e atual chefe da Assembleia de Analistas, assegurou durante o sermão que a República Islâmica do Irã é um sistema composto pelo Islã e pelo povo e advertiu que sem a presença de ambos, o regime não seguirá de pé.

O veterano político acrescentou que no Irã "tudo depende do voto do povo" e pediu às autoridades iranianas (da linha dura) para "devolver a confiança ao povo", enfraquecida durante e após as eleições presidenciais de 12 de junho, as quais foram qualificadas por três dos quatro candidatos como "fraudulentas".

Rafsanjani é considerado o principal apoio do líder opositor Mir Hussein Moussavi, derrotado no pleito pelo atual presidente iraniano, Mahmoud Ahamdinejad.

O aiatolá pediu ainda que os detidos nos protestos que se seguiram ao resultado das eleições fossem soltos.

"Quem é Rafsanjani para pedir a libertação dos detidos?", criticou Yazdi.

O membro do Conselho de Guardiães disse ainda que Rafsanjani é o chefe do Conselho para a Discernimento e não pode se intrometer nos assuntos do Poder Judiciário. EFE msh/db

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