AI pede investigação sobre atuação de policiais espanhóis em Guantánamo

Barcelona, 12 jan (EFE).- A Anistia Internacional (AI) pediu hoje ao Governo da Espanha para iniciar uma investigação independente com o objetivo de esclarecer se policiais espanhóis interrogaram presos de Guantánamo entre 2002 e 2004.

EFE |

O pedido foi realizado com base em declarações do ex-prisioneiro Lahcen Ikassrien, que passou três anos e meio no centro de detenção.

Em entrevista coletiva em Barcelona, Ikassrien denunciou hoje que, entre 2002 e 2004, foi interrogado pelo menos em quatro ocasiões por policiais e funcionários espanhóis, que queriam que ele ajudasse a identificar suspeitos de pertencer à Al Qaeda na Espanha.

O marroquino morou na Espanha entre 1987 e 2000 e, mais tarde, foi para o Afeganistão, onde, afirmou, queria aprender a viver como um verdadeiro muçulmano.

Poucos dias depois dos atentados de 11 de Setembro, em outubro de 2001, Ikassrien foi detido perto de Kunduz pelas tropas do general uzbeque Abdul Rashid Dostum, aliado dos Estados Unidos, e, posteriormente, levado a Kandahar e, depois, a Guantánamo.

Além de ficar preso em celas de arame, amarrado e incomunicável, precisou suportar diversos tipos de maus-tratos, como pessoas urinando em cima dele e atirando fezes em sua cabeça.

Além disso, tentaram amputar um braço que estava lesionado, chamavam ele de "animal 64" ou quebraram quatro de seus dentes.

De acordo com sua versão, em seu cativeiro, que durou de fevereiro de 2002 a julho de 2005, ele foi interrogado pelo menos em quatro ocasiões por policiais e funcionários espanhóis, que se identificavam como tais, para pedir que colaborasse em suas tarefas de investigação contra a Al Qaeda.

"Eu perguntava por que tinha que colaborar com eles e lhes dizia que se quisessem que colaborasse com eles, que me levassem para um lugar onde fosse tratado como uma pessoa", contou o marroquino.

O ex-detento destacou que era freqüente a presença de policiais de outros países para interrogar presos em Guantánamo.

Em uma ocasião, segundo sua versão, os policiais espanhóis estiveram acompanhados de um diplomata da embaixada espanhola nos Estados Unidos.

Ikassrien foi extraditado à Espanha em julho de 2005, onde ficou preso por um ano até que, em outubro de 2006, a Corte Suprema o absolveu de todas as acusações contra si. EFE jf/db

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