AI pede assumir responsabilidade por civis mortos no Afeganistão

Londres, 26 fev (EFE).- A Anistia Internacional (AI) pediu hoje aos aliados que assumam sua responsabilidade por causa do crescente número de civis mortos no Afeganistão em consequência de suas ações militares, antes de cogitar o envio de mais tropas ao país.

EFE |

A AI afirma que "2008 foi o ano mais violento para os civis desde a queda dos talibãs" e que, "nos afegãos, há um crescente ressentimento pelas baixas civis causadas pelas forças aliadas em ataques noturnos e outras ações deste tipo".

O diretor da AI para a Ásia-Pacífico, Sam Zafiri, expressou, em comunicado, que "o desafio para os EUA e seus aliados é garantir que o aumento das tropas internacionais no país levará a uma melhor segurança para os afegãos, e não em um maior risco".

A AI respondeu assim ao anúncio do presidente americano, Barack Obama, de que os EUA aumentarão a presença militar no Afeganistão.

A ONG dá como exemplo o caso dos irmãos Abdul Habib e Mohammed Ali, que, em janeiro de 2008, foram baleados à queima-roupa em Kandahar de madrugada, apesar de estarem desarmados, por membros das forças internacionais que vestiam uniformes camuflados.

Mais de um ano depois, ninguém assumiu a responsabilidade, apesar da campanha da AI, da Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão, e do relator especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, Philip Alston.

"A contínua impunidade em torno das mortes de Abdul Habib e Mohammed Ali evidenciam a falta de um adequado aparecimento de responsabilidades por parte das forças ocidentais que operam no Afeganistão", denunciou Zarifi.

O responsável da AI advertiu que "os talibãs estão atiçando o fogo do ressentimento dos afegãos" e lamentou que os aliados "não tenham sido capazes ainda de mostrar que são sérios quando dizem que investigarão estes incidentes, que assumirão a responsabilidade e compensarão as vítimas". EFE fpb/an

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