AI pede à China informação sobre detidos no Tibete em protestos de março

(embargada até 18h de hoje em Brasília) Pequim, 18 jun (EFE) - A Anistia Internacional (AI) pediu à China que informe sobre os mais de mil detidos no Tibete durante os protestos registrados em março e exigiu que observadores internacionais tenham livre acesso à região para que possam comprovar a situação dos retidos.

EFE |

Aproveitando a passagem da tocha olímpica pelo Tibete, a organização publicou um relatório intitulado "República Popular da China-Tibete: acesso negado", no qual detalha a evolução dessa região nos últimos três meses, após os protestos tibetanos que deixaram 19 mortos em Lhasa, sendo 18 civis e um policial.

"Com a tocha a ponto de entrar no Tibete, é uma boa oportunidade de jogar um pouco de luz à situação no local", disse Sam Zarifi, diretor da AI na Ásia-Pacífico.

O paradeiro e estado dos detidos, o tratamento destas pessoas (a organização denunciou torturas e privação de tratamento médico aos presos) e a censura jornalística são alguns dos assuntos abordados no relatório.

A AI lamenta o fato de as autoridades chinesas não só terem detido monges e manifestantes durante os distúrbios, mas também perseguido artistas tibetanos que não tinham envolvimento direto nos fatos.

Desta forma, a organização relata o caso de Jamyang Kyi, um cantor e apresentador de televisão tibetano que foi detido em 1º de abril onde trabalhava e permaneceu incomunicável durante um mês, até que conseguiu ser libertado após pagar uma alta fiança.

"Há muito pouca informação que procede do Tibete, mas a que nos chega tem traços de um quadro com detenções arbitrárias e abusos", ressaltou Zarifi.

As notícias divulgadas pela imprensa oficial chinesa se restringem a assinalar um número limitado de julgamentos e condenações em casos concretos.

Por outro lado, a Anistia Internacional também incide no bloqueio sofrido pelos jornalistas estrangeiros, aos quais foi proibida a entrada no Tibete.

Neste sentido, o relatório da AI informa das operações policiais na busca de telefones celulares e computadores em mosteiros e casas particulares para impedir qualquer comunicação com o exterior.

"A repressão no Tibete permite abusos nos direitos humanos, como detenções ilegais e censura informativa, que não transcendem e ficam sem punição", explicou o diretor.

Segundo o Governo chinês, os distúrbios deixaram 19 mortos.

Durante os atos, grupos violentos queimaram lojas e prédios públicos, principalmente atacando chineses Han (etnia majoritária na China) e muçulmanos Hui.

Os tibetanos no exílio, no entanto, afirmam que as manifestações foram pacíficas e que a repressão policial posterior em Lhasa e em outras zonas aonde os protestos se estenderam deixou pelo menos 140 mortos. EFE gmp/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG