AI diz que execução de britânico revela a injustiça da pena de morte

Londres, 29 dez (EFE).- Anistia Internacional (AI) condenou hoje a execução na China de Akmal Shaikh, um cidadão britânico condenado por tráfico de drogas, e ressaltou que a ação coloca em destaque a falta de humanidade e a injustiça da pena de morte.

EFE |

Em comunicado, a Anistia exigiu ao Governo chinês que reforme o sistema judiciário para que funcione com maior transparência e com respeito aos direitos humanos dos processados.

Conforme o diretor do departamento da AI para a Ásia, Sam Zarifi, afirmou que o tratamento dispensado pelas autoridades chinesas a Shaikh, que segundo seus familiares sofre problemas psiquiátricos, faz parte do sistema judiciário chinês.

Na China são frequentes "julgamentos curtos, sem investigação de todas as provas, e onde a pena de morte se aplica em casos de crimes nos quais não houve violência", destacou o responsável de Anistia.

Shaikh, de 53 anos, casado e com três filhos, foi executado às 2h30 no horário local (0h30min de Brasília), o primeiro europeu condenado à morte na China em 60 anos.

Foi detido em 2007 portando droga no aeroporto de Urumqi.

Ele chegou de Dushanbé, capital do Tadjiquistão, e foi condenado à morte um ano depois.

Conforme o responsável da AI, "em virtude da lei internacional sobre direitos humanos, da mesma forma que em virtude da lei chinesa, a saúde mental de um processado pode e deve ser levado em conta, e não parece que neste caso as autoridades chinesas o fizessem".

"Simplesmente não é suficiente que as autoridades chinesas digam que fizeram o correto e que é preciso confiar nelas. Agora, após acabar com a vida de um homem, não pode ter uma reavaliação das provas nem um indulto", acrescentou.

Zafiri pediu ao Reino Unido e à União Europeia (UE) que "continue pressionando o Governo chinês para que aumente a transparência em torno dos processos de pena de morte".

A China executou 1.718 pessoas em 2008, o que, segundo os números da AI, representa 72% do total mundial. EFE fpb/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG