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AI denuncia realidade catastrófica de mulheres em bairros pobres do Brasil

(embargada até às 21h01, horário de Brasília) Londres, 16 abr (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denunciou a realidade catastrófica em que vivem as mulheres nas comunidades pobres do Brasil, que, segundo a entidade, são vítimas ocultas da violência criminal e policial que atingem suas comunidades há décadas.

EFE |

Em um novo relatório divulgado pela organização, que tem sede em Londres, a AI mostra como as mulheres que lutam para conseguir justiça para seus filhos ou maridos nos bairros pobres das cidades brasileiras "acabam na primeira linha de fogo", expostas a sofrerem novas ameaças e abusos por parte da Polícia.

Segundo a Anistia, o Estado brasileiro é muito ausente nas comunidades carentes e, por esta razão, em muitos casos o único contato que o povo tem com o Governo são "as incursões policiais" realizadas esporadicamente.

"Em vez de dar proteção, a Polícia costuma submeter as mulheres a revistas ilegais realizadas por homens, a uma linguagem insultante e discriminatória além de intimidações", afirma Tim Cahill, investigador da AI sobre o Brasil, em um comunicado para a imprensa divulgado pela organização.

"Sem a presença do Estado, na maior dos bairros pobres os chefes do tráfico de drogas são a lei. Dispensam castigos e proteção e usam as mulheres como troféus ou como objetos de troca em suas negociações", declarou Cahill.

O relatório destaca como as mulheres são usadas como "mulas" ou chamarizes pelos narcotraficantes e são consideradas objetos por criminosos e policiais corruptos.

A AI tem conhecimento de casos de mulheres que tiveram a cabeça raspada por terem sido infiéis ou que foram obrigadas a manter relações sexuais para pagar suas dívidas.

A organização também expressou sua preocupação pelo "crescente número" de mulheres que acabam no "superlotado e insalubre" sistema carcerário do Brasil, "submetidas a abusos físicos e psicológicos" que incluem, em alguns casos, violências sexuais.

Segundo a AI, os efeitos da criminalidade e da violência se fazem sentir na comunidade inteira, menosprezando de forma considerável a prestação de serviços básicos, como o atendimento à saúde e a educação.

A organização citou exemplos de mulheres que são obrigadas a andar quilômetros para terem atendimento médico já que os postos de saúde ou hospitais de sua comunidade ficam em territórios de um grupo rival. A AI destacou também os episódios em que escolas, creches e maternidades têm que ficar fechadas por causa de confrontos entre policiais e criminosos.

Segundo a entidade, as mulheres das comunidades pobres suportam uma tensão incrível. A organização citou o caso, inclusive, de uma mulher que disse ter que viver "dopada" e ter que tomar tranqüilizantes para poder dormir.

"Dopada, eu agarro minha filha, me jogo no chão para me proteger dos tiros e durmo toda a noite. Se minha filha perder a boneca, pode chorar toda a noite, que depois das oito horas da noite não saio de casa pra nada", contou.

A Anistia Internacional, que elaborou seu relatório a partir de entrevistas com mulheres dos estados de Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul entre 2006 e 2007, reivindicou medidas urgentes "a longo prazo e de longo alcance" para melhorar a vida das mulheres da comunidades pobres.

A organização pediu ao Governo brasileiro que, como primeiro passo, integre as necessidades das mulheres no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). EFE ep/rr/fal

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