AI critica Governo sul-africano por querer deportar imigrantes ilegais

Johanesburgo, 24 jul (EFE).- A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) condenou a intenção do Governo sul-africano de deportar mais de mil imigrantes ilegais que vivem em um campo de refugiados de Johanesburgo, muitos deles vítimas dos ataques xenófobos de maio passado.

EFE |

Em comunicado divulgado hoje, a "Anistia Internacional pede ao Governo da África do Sul que mantenha as obrigações a respeito dos direitos humanos e que não deporte aos países de origem os imigrantes em busca de asilo".

O Executivo de Pretória transferiu na última terça-feira mais de mil imigrantes deslocados do campo de refugiados de Glenanda até o Centro de Repatriação de Lindela, ambos na zona de Johanesburgo.

Os transferidos fazem parte dos mais de 30 mil imigrantes que foram obrigados a se refugiar nas delegacias e Prefeituras do país após ser vítimas de ataques xenófobos em maio passado, ocorridos, a maioria, na zona de Johanesburgo.

O Governo sul-africano anunciou na quarta-feira que "os estrangeiros que se negam a se registrar para obter documentos de identidade temporários ou que não tenham papéis legais que os identifiquem serão deportados".

Muitos dos refugiados se recusam a se registrar, pois temem ser deportados ao expirar os documentos provisórios.

Segundo a AI, representantes oficiais nos campos de refugiados negaram acesso adequado à água e comida àqueles que não queriam se registrar, o que, para a organização, "é uma violação das obrigações da África do Sul sob as leis internacionais".

"O novo sistema de registro levou à confusão, aumentou a tensão e resistência de algumas das pessoas dos campos de refugiados", diz o comunicado da AI.

Segundo a Anistia, muitos dos refugiados ainda estão traumatizados com os violentos ataques e com a destruição das propriedades que presenciaram em maio.

"O Governo deve explicar de forma muito mais completa o que implica o processo de registro e se assegurar de que seus direitos humanos não são violados", afirmou a organização. EFE hc/db

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