AI critica Governo chileno por negar repressão policial

Santiago do Chile, 30 mai (EFE).- A Anistia Internacional (AI) repudiou as declarações do ministro chileno Patrício Resende, que, interinamente à frente da pasta de Interior, negou que a repressão policial seja uma prática comum no país.

EFE |

"É alarmante que um alto funcionário que é politicamente responsável pelo trabalho da Carabineiros (polícia militarizada) desconheça a realidade com uma afirmação tão flagrante", denunciou a organização num comunicado divulgado ontem.

No relatório que escreve todos os anos sobre os direitos humanos no mundo, AI disse que, em 2008, "as manifestações de protesto (realizadas no Chile) foram objeto de uma crescente criminalização".

"Algumas vezes, a Polícia foi acusada de fazer uso excessivo da força contra os manifestantes", acrescentou no documento.

Segundo a nota da AI, Rosende desmentiu "categoricamente que exista uma política repressora na Carabineiros ou na Polícia Investigadora (PDI)".

"A Carabineiros é uma instituição que tem um apoio populacional como nenhuma outra. Isso não existiria se a Carabineiros tivesse uma política expressa em matéria de repressão", afirmou o ministro interino.

O diretor-executivo da AI Chile, Sergio Laurenti, ressaltou que "o reconhecimento público que a Carabineiros do Chile tem na sociedade (...) não pode cegar (a população) perante os excessos e a brutalidade com os quais realiza alguns procedimentos".

A organização de defesa dos direitos humanos ressaltou que "é cada vez mais frequente a Carabineiros do Chile recorrer à força descabida para reprimir manifestações públicas".

"Com a identificação de um padrão recorrente, poderíamos pensar que esta prática está sustentada na autorização política para reprimir a liberdade de reunião e expressão", disse.

Como exemplo, a AI citou as detenções de menores de idade nos protestos sociais, os ataques com jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, a detenção da documentalista Elena Varela e o homicídio do jovem mapuche Matías Catrileo. EFE frf/sc

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