A Anistia Internacional denunciou como discriminatório o projeto de construção de muros em torno das favelas da cidade do Rio de Janeiro, em seu relatório anual divulgado nesta quarta-feira.

O documento reconheceu, no entanto, que a situação dos direitos humanos melhorou na América Latina em 2008, conforme demonstrou a condenação do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, mas apontou para os retrocessos, com o aumento da insegurança e da exclusão, como exemplificam estes muros que já começaram a ser construídos nos morros cariocas. A Anistia insistiu sobre o carácter discriminatório desta medida .

A pena de prisão de 25 anos de prisão decretada em abril contra Fujimori por crimes de lesa humanidade durante seu governo "foi um ato crucial na luta contra a impunidade no Peru", diz o o relatório da organização de defesa dos direitos humanos com sede em Londres.

Além disso, a Anistia observou avanços na batalha contra a impunidade na Argentina, na Bolívia, no Chile, na Colômbia e no Uruguai.

Mas lamentou que o Frente Farabundo Martí, que ganhou as eleições salvadorenhas em março, não tenha se comprometido a revogar a Lei de Anistia que deu impunidade a pessoas que violaram direitos humanos durante a guerra civil, de 1980 a 1992.

O documento destacou que o conflito na Colômbia continua obrigando um grande número de pessoas a fugirem: foram 380.000 em 2008. Os povos indígenas foram os mais afetados, segundo a Anistia, que citou informes sobre o assassinato de até 27 deles pela guerrilha.

O grupo rebelde Farc reconheceu em abril ter assassinado oito índios Awá.

A Colômbia também registrou o assassinato de dois defensores dos direitos humanos.

No México, houve um aumento das denúncias de abusos pelas partes dos membros do Exército desde 2006 a 2008, indicou o relatório.

O respeito aos povos indígenas melhorou na Bolívia e no Brasil, onde o governo demarcou áreas significativas. Já no Paraguai seis membros da comunidade Sawhoyamaxa morreram por doenças inevitáveis, destacou.

A Anistia Internacional também destacou que o Chile começou a discutir um projeto de lei que passará a reconhecer o crime que tipifica de "feminicídio" - o que pode ajudar a diminuir a violência contra as mulheres.

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