AI: China omite violações de direitos humanos

Londres, 5 fev (EFE).- O relatório que a China apresentará em 9 de fevereiro ao Conselho de Direitos Humanos da ONU omite graves violações, afirmou hoje Anistia Internacional (AI), ressaltando que ter opiniões ou mesmo ouvir músicas consideradas reacionárias, segundo a própria Polícia chinesa, pode dar cadeia.

EFE |

Seis meses após o encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim, o relatório chinês à Revisão Periódica Universal dos direitos humanos constitui, segundo AI, "uma rara oportunidade" para que a comunidade internacional exija da China que melhore a situação no país.

A ONG humanitária reconhece que o país asiático cumpriu suas obrigações ao apresentar a tempo o relatório, assim como seus progressos em alguns campos como o sistema legal, os programas de educação em matéria de direitos humanos e a aprovação da lei sobre contratos de trabalho, entre outras coisas.

No entanto, a AI denuncia que o relatório de Pequim à ONU passa ao largo da crise no Tibete, da "forte repressão" da etnia uigur, na região autônoma de Xinjiang, e a "perseguição" de pessoas que praticam algumas religiões, como os membros do Falung Gongo.

Segundo o jornal "Lhasa Evening News", uma campanha repressiva lançada em 18 de janeiro na capital dessa região incluiu batidas em áreas residenciais, hotéis, pensões, cybercafés e bares.

Até 24 de janeiro, a Polícia havia detido 81 suspeitos, entre eles dois acusados de "ter 'opiniões reacionárias', assim como 'canções reacionárias' em seus telefones celulares".

Segundo Anistia Internacional, o relatório chinês à ONU não menciona seus sistemas de detenção administrativa, que permitem "encarcerar sem julgamento nem acesso a advogados de até centenas de milhares de indivíduos".

Também não faz menção, segundo a ONG, à necessidade de reformar o sistema de registro das famílias, "que institucionaliza a cidadania de segunda classe para centenas de milhões de trabalhadores do campo emigrados às cidades". EFE jr/jp

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