AI alerta sobre questão de crianças-soldado na RDC

(embargada até 21h01, de Brasília, deste domingo) Londres, 28 set (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denuncia que a cada duas crianças-soldado libertadas na República Democrática do Congo (RDC), outras cinco são capturadas para lutar no conflito de Kivu Norte, província no leste do país africano.

EFE |

Em um relatório divulgado hoje, a AI, com sede em Londres, alerta sobre a incidência das violações e o recrutamento das crianças para a violência, apesar do compromisso assumido pelo Governo e por grupos armados de pôr fim a essas atrocidades.

A AI explica que estão acontecendo vários casos de seqüestro e recrutamento de crianças-soldado que já tinham sido desmobilizadas.

Segundo a organização humanitária, de todas as crianças libertadas em Kivu Norte por programas de desmobilização, metade voltou a ser recrutada.

Andrew Philip, porta-voz da AI, afirma em comunicado que é precisamente sua experiência prévia com grupos armados o que torna essas crianças recrutas valiosos.

"Quanto mais sabem, maior é o risco de voltarem a ser recrutadas.

Neste caso, a experiência pode ser fatal", diz Philip.

Segundo a AI, os que tentam escapar são assassinados ou torturados, às vezes na presença de outras crianças com a intenção de intimidar.

A partir de testemunhas diretas, a AI relata como algumas crianças que tentaram fugir foram espancadas até a morte.

Além disso, também foram registrados casos de torturas de crianças-soldado por parte do Exército da RDC, que as capturou por serem "lutadoras de grupos armados".

A AI explica que, à parte do drama das crianças-soldado, em Kivu Norte acontecem "contínuos" abusos sexuais e físicos contra mulheres, crianças e idosos.

A organização humanitária afirma que o Exército e os grupos armados continuam violentando mulheres de todas as idades e crianças.

Às vezes, grupos inteiros abusam de uma mesma pessoa, e freqüentemente os estupros acontecem em público e diante das famílias das vítimas.

"A situação dos direitos humanos em Kivu Norte é atroz", denuncia Philip, que pediu a todas as partes do conflito e à comunidade internacional que atuem para evitar violações dos direitos humanos.

EFE vmg/wr/rr

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