AI acusa Uribe de esconder violações de direitos humanos

Madri, 28 out (EFE).- A ONG Anistia Internacional acusou hoje o presidente colombiano Álvaro Uribe de distorcer a realidade da violação dos direitos humanos na Colômbia e de não reconhecer a existência de um conflito armado no país.

EFE |

O diretor da Anistia Internacional na Espanha, Esteban Beltrán, apresentou hoje em Madri o relatório "Deixem-nos em Paz! A população civil, vítima do conflito armado interno da Colômbia", elaborado por Marcelo Pollack, pesquisador do Secretariado Internacional da AI para a Colômbia, e por Nancy Fiallo, militante colombiana de direitos humanos.

Beltrán disse que, apesar da libertação do ex-congressista Oscar Tulio Lizcano, sua organização "não esquece os milhares de seqüestrados (das Farc)", dos quais pediu sua libertação "imediata".

O diretor da AI pediu ao Governo espanhol que "facilite e não bloqueie" na UE o exame que a Colômbia fará em dezembro perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU e que se inclua ao país entre as nações com "gravíssimas violações dos direitos humanos".

Segundo o relatório, em 2007 houve pelo menos 1.400 homicídios de civis contra 1.300 em 2006. Dos casos nos quais se conhece aos autores, as forças de segurança foram responsáveis por pelo menos 330, os paramilitares por cerca 300 e os grupos guerrilheiros por aproximadamente 260.

Ele também aborda que até 305 mil pessoas precisaram se refugiar em 2007 e que pelo menos 190 pessoas foram vítimas de desaparecimento forçado por forças de segurança os paramilitares, ou se encontram em paradeiro desconhecido após serem seqüestradas pelas guerrilhas.

O diretor da AI na Espanha afirma que a raiz do conflito está na impunidade, pois, segundo o relatório, só 10% dos mais de 31 mil paramilitares que, segundo o Governo, foram desmobilizados puderam participar do processo de "Justiça e Paz".

Este processo lhes concede benefícios judiciais em troca de confissões sobre sua participação em violações de direitos humanos.

Após afirmar que, entre junho de 2002 e dezembro de 2007, um total de 75 defensores dos direitos humanos foram assassinados na Colômbia, Fiallo alegou que o Governo de seu país deveria fazer um "respaldo político" ao trabalho destas pessoas. EFE bal/jp

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