Londres, 8 jan (EFE).- A Anistia Internacional (AI) acusou hoje tanto os soldados israelenses quanto os combatentes do Hamas de colocarem em risco a vida da população civil palestina, com práticas nas quais se inclui seu uso como escudo humano.

"Nossas fontes em Gaza informam que os soldados israelenses entraram e tomaram posições em várias casas palestinas, obrigando as famílias a ficar em um quarto enquanto utilizam o resto da casa como base militar e posição para franco-atiradores", disse Malcolm Smart, do Programa Regional para o O. Médio e o Norte de África da Anistia.

Ele ressaltou que "isto aumenta claramente o risco que as famílias palestinas afetadas correm e representa sua utilização, de fato, como escudos humanos." Tanto os soldados israelenses quanto os combatentes palestinos continuam abrindo fogo de áreas próximas a casas de civis, colocando seus moradores em risco, acusa a AI.

A organização pró-direitos humanos ressalta que as Forças Armadas israelenses bombardearam casas e edifícios não militares, alegando que nelas se escondiam combatentes palestinos que disparavam em alvos israelenses.

"O Exército israelense sabe muito bem que os combatentes palestinos costumam abandonar a zona após terem disparado e que, na maioria dos casos, os ataques em resposta contra estas casas causarão danos a civis, e não a combatentes", disse Smart.

O uso destas táticas, quando ocorrem confrontos armados em ruas de zonas residenciais com alta densidade populacional, evidencia "a falta de respeito que os dois lados demonstram pela proteção dos civis em um conflito armado", acrescentou o porta-voz.

A AI pediu uma investigação independente sobre supostos abusos, incluindo possíveis crimes de guerra, cometidos pelas duas partes, e a garantia de que os culpados responderão por seus atos.

Paralelamente, a Anistia exigiu que os membros da União Européia (UE) pressionem Israel para que coloque fim aos ataques contra civis ou edifícios civis na Faixa de Gaza, assim como a suas ofensivas desproporcionais e ilegais.

Israel também deve permitir o acesso, sem impedimentos, de ajuda humanitária à zona, garantir que os milhares de feridos recebam a assistência médica necessária e deixar sair da Faixa a população palestina que quiser escapar do conflito.

Segundo a AI, até que se consiga a proteção efetiva da população civil palestina, "a UE deve deixar em suspenso os debates sobre a melhora das relações com Israel" - para assinar um novo Plano de Ação UE-Israel - e "se concentrar em obter compromissos concretos do país para pôr fim à catástrofe humanitária que afeta Gaza".

A Anistia Internacional pediu aos grupos armados palestinos que coloquem fim aos ataques indiscriminados com foguetes dirigidos contra zonas civis do sul de Israel. EFE jm/db

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