AI acusa Israel de crimes de guerra em ataque a Gaza

(Embargada até as 21h01, horário de Brasília) Londres, 1 jul (EFE).- A Anistia Internacional (AI) disse hoje que Israel matou centenas de palestinos desarmados e destruiu milhares de casas, em sua ofensiva contra Gaza, entre dezembro e janeiro, o que constitui crimes de guerra que não devem ficar impunes.

EFE |

Em um relatório de 117 páginas, a AI documentou casos concretos de infração do direito internacional nesses 22 dias de ataques a Gaza, também por parte do Hamas e outras facções palestinas, com o lançamento de mísseis em território israelense.

"O fracasso de Israel na investigação adequada da conduta de suas forças em Gaza, incluindo os crimes de guerra, e sua contínua recusa a colaborar com a missão de investigação independente das Nações Unidas, liderada por Richard Goldstone, demonstram sua intenção de atrapalhar a transparência e a apuração pública", afirmou Donatella Rovera, que dirigiu um trabalho de campo para AI na região.

A comunidade internacional, especialmente o Conselho de Segurança da ONU, "deve usar toda sua influência para assegurar-se de que Israel colabore com a pesquisa Goldstone", que agora é a melhor oportunidade de estabelecer a verdade.

O relatório da AI demonstra que o Estado judeu utilizou armas de guerra contra a população civil na Faixa de Gaza.

No total, Israel matou cerca de 1.400 palestinos, entre eles 300 crianças e centenas de pessoas desarmadas, em um ataque de "escala e intensidade sem precedentes".

A maioria de pessoas, assinala a organização pró-direitos humanos, foram assassinadas com armas de alta precisão, que permitem ver claramente o objetivo, enquanto outros foram atingidos por armamento mais impreciso, como projéteis com fósforo branco - usados pela primeira vez em Gaza -, "que nunca deveriam ser utilizados em zonas densamente povoadas".

Os casos investigados pela AI demonstram que as vítimas estavam realizando suas tarefas cotidianas quando foram mortas e não estavam escondendo milicianos.

"A morte de tantas crianças e civis não pode ser classificada como 'dano colateral', como diz Israel", assinala Donatella, que acrescentou que a destruição de 3 mil casas e danos em outras 20 mil não podem ser justificadas como uma "necessidade militar".

Sobre os ataques do Hamas, que causaram a morte de três civis israelenses e feriram muitos outros, a AI disse que "embora menos letais", o uso de foguetes não guiados e que não podem ser dirigidos seus objetivos, "violam a legislação internacional humanitária e não deveriam ser usados em nenhuma circunstância".

Entre suas recomendações, a AI pede aos Estados que suspendam qualquer transferência de armamento a Israel, ao Hamas e a outras facções palestinas, até que já não haja mais o risco de violações dos direitos.

Também pede a Israel que se comprometa a não realizar ataques "diretos, indiscriminados ou desproporcionais" contra civis, nem usar artilharia e fósforo branco em áreas muito povoadas e a pôr fim a seu bloqueio da Faixa de Gaza, "que significa um castigo coletivo a toda a população".

A AI pediu ao Hamas que renuncie a sua tática de lançar foguetes contra núcleos de população civil em Israel. EFE jm/pd

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