AI acusa comunidade internacional de falhar com refugiados iraquianos

(embargada até as 21h01 deste sábado em Brasília) Londres, 14 jun (EFE).- A comunidade internacional está afastando sua responsabilidade pelo tratamento dado a refugiados iraquianos ao promover uma imagem falsa da situação no país, já que na verdade o Iraque não está seguro para que os refugiados retornem, denunciou hoje a Anistia Internacional (AI).

EFE |

No relatório "Retórica e realidade: a crise dos refugiados iraquianos", publicado hoje, a AI garante que os países mais ricos não estão dando a assistência necessária aos refugiados iraquianos, "a maioria dos quais está imersa no desespero e caminhando rumo à pobreza extrema".

"Os Governos fizeram pouco ou nada para ajudar os refugiados iraquianos, fracassando em seu dever moral, político e legal", afirmou a organização, com sede em Londres.

"Em troca, a apatia e a retórica foram a resposta arrasadora a uma das piores crises dos refugiados do mundo", acrescentou.

A organização diz que tanto o Governo iraquiano quanto os países que participaram da invasão de 2003, sobretudo Estados Unidos e Reino Unido, destacam a melhoria na segurança ou retornos "voluntários" ao Iraque, para demonstrar que sua ação militar foi um êxito.

Mas essa retórica - afirmou a AI em comunicado de imprensa - não pode ocultar a péssima situação dos direitos humanos no Iraque, onde "o povo é assassinado a cada mês por grupos armados, pela coalizão internacional e pelas Forças de Segurança iraquianas ou guardas de segurança privados".

A organização pró-direitos humanos também evidenciou como os seqüestros, a tortura, os maus tratos e as detenções ilegais dominam a vida diária dos iraquianos e como o povo continua tentando fugir do país, "algo que é muito difícil com a recente imposição de restrições aos vistos iraquianos pela Jordânia e Síria".

Segundo as últimas estimativas do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), lembradas pela Anistia, 4,7 milhões de iraquianos fugiram de seus lares, o número mais alto desde que começou a invasão do Iraque, liderada pelos EUA.

Apesar de a Síria e a Jordânia terem recebido o maior número de migrações de refugiados, ambos os países "recorreram agora a medidas drásticas, como restrições à entrada e deportação de pessoas que podem correr o risco de serem perseguidas, devido à falta de apoio da comunidade internacional", afirma a AI.

Após esgotarem suas economias, muitos refugiados vivem agora uma pobreza extrema e precisam enfrentar novos perigos, como serem obrigados a retornar "voluntariamente" ao Iraque ou serem vítimas de trabalho infantil, no caso das crianças.

Outros refugiados decidem voltar ao Iraque não por sentirem que não há violações contra os direitos humanos no país, mas por perceberem que não têm outra opção, destacou o movimento humanitário.

A Anistia Internacional denunciou também que muitos países europeus estão deportando cidadãos iraquianos, inclusive para algumas das áreas mais perigosas do Iraque, como as regiões do sul e do centro.

Além de usarem ações diretas para forçá-los a voltar, estão usando métodos indiretos, como interromper a assistência básica ou os serviços aos litigantes de asilo, acrescentou.

Como exemplo, a AI citou a Suécia, que acolhe o maior número de refugiados iraquianos na Europa e que foi um exemplo "positivo" para seus países vizinhos, mas que "agora mudou seu enfoque e está negando, na maioria das vezes, proteção aos iraquianos e devolvendo alguns a áreas muito perigosas".

Em seu relatório, o movimento de defesa dos direitos humanos pede à comunidade internacional que aumente, "de forma urgente e substancial", a ajuda financeira, e também solicita o fim de práticas que geram retornos "voluntários" por coerção.

A Anistia Internacional também solicita à Síria, à Jordânia, ao Líbano e ao Egito, como a outros países da região, que permitam o acesso sem restrições às pessoas que fogem do Iraque, que ponham fim às deportações e garantam o acesso dos refugiados ao mercado de trabalho. EFE ep/fh/db

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