Nuakchott, 17 jul (EFE).- Ahmed Ould Daddah não precisa de apresentação na Mauritânia, já que foi o homem que, há 18 anos, ganhou as manchetes dos jornais com sua oposição pacífica aos regimes totalitários.

Daddah tem em seu passado a façanha de ter enfrentado o ditador Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya (1984-2005), o que lhe valeu todo tipo de perseguições e detenções.

Grande orador e muito carismático, Daddah sempre saiu derrotado das eleições presidenciais, das quais participou desde o início de sua carreira à frente de diferentes partidos.

No entanto, este acúmulo de decepções não lhe impediu de voltar a tentar a Presidência amanhã, e parte como principal favorito a disputar o segundo turno com o ex-chefe da Junta Militar Mohammed Ould Abdelaziz.

Meio-irmão do primeiro presidente mauritano, Moktar Ould Daddah, já era conhecido no país antes de enfrentar Taya por ter ocupado, no regime anterior, postos importantes como os de governador do Banco Central e ministro das Finanças e de Comércio.

Natural de Boutilimit, 150 quilômetros ao sul da capital mauritana, nasceu em 7 de agosto de 1942, e recebeu nessa cidade a educação obrigatória em um entorno profundamente religioso.

Daddah tem uma sólida formação acadêmica, marcada por uma licenciatura em Ciências Econômicas em Paris e por uma pós-graduação cursada três anos mais tarde na Universidade de Dacar.

O jovem tecnocrata começou sua carreira profissional em 1967, como conselheiro econômico e financeiro adjunto do chefe de Estado.

Depois de ser promovido a conselheiro do presidente e de assumir vários cargos importantes no Governo, chegou ao Banco Central da Mauritânia, onde, entre 1973 e 1978, marcou a economia do país ao influir diretamente na criação da moeda nacional, a ouguiya.

Após o golpe de Estado de 1978, Daddah foi contratado como analista econômico pelo Banco Mundial (BM), cargo que desempenhou até 1991, quando decidiu entrar na política mauritana.

Foi candidato nas eleições presidenciais de 1992, na qual obteve oficialmente 33% dos votos.

No entanto, muitos observadores internacionais acreditam que ele foi vítima de uma fraude pelo partido de Taya e que foi o vencedor dessa que foi a primeira eleição de um chefe de Estado na Mauritânia.

Os mauritanos lembram, no entanto, seu gesto ao impedir que alguns militantes, furiosos por uma "vitória roubada", entrassem à força no Palácio Presidencial, já que preferiu não expor o povo a uma rebelião de consequências incalculáveis.

O regime perseguiu Daddah, e seu partido, a União das Forças Democráticas/Era Nova (UFD/EM), foi dissolvido em outubro de 2000.

Três anos depois, criou a União das Forças Democráticas (RDF), com a qual se apresentou à eleição presidencial de novembro de 2003, sempre contra Taya, e obteve apenas 7% dos votos.

Após a derrocada de Taya, em agosto de 2005, Daddah voltou a ter esperanças de chegar ao poder e participou das presidenciais de março de 2007, mas seu rival Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, apoiado pelos militares, saiu vitorioso.

No começo, Daddah apoiou o golpe de Estado liderado por Mohammed Ould Abdelaziz em agosto de 2008, mas poucos meses depois trocou de lado e passou a ser um dos opositores mais ativos contra a Junta Militar.

Se chegar ao segundo turno das presidenciais - previsto para o dia 1º de agosto - contará com o apoio dos outros candidatos opositores ao golpe.

Daddah provavelmente é consciente de que deve estar diante de uma das últimas chances de acabar com sua maldição e, finalmente, ser eleito presidente. EFE mo-alr/mh

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