Ahmadinejad volta a questionar a realidade do Holocausto

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, qualificou novamente o Holocausto de mito nesta sexta-feira durante um discurso pronunciado por ocasião de um dia anual de solidariedade com os palestinos, reiterando declarações que já suscitaram a indignação da comunidade internacional no passado.

AFP |

"A existência deste regime é um insulto à dignidade dos povos", afirmou o dirigente conservador, ao se referir a Israel.

"Eles (os ocidentais) lançaram o mito do Holocausto. Eles mentiram, e depois apoiaram os judeus. Já que vocês pretendem que o Holocausto é uma realidade, porque não autorizam um estudo?", perguntou Ahmadinejad à multidão de fieis, que gritou palavras de ordem como "Morte a Israel".

"O pretexto utilizado para estabelecer o regime sionista é uma mentira, baseada numa alegação duvidosa, uma asserção mítica, e a ocupação da Palestina não tem nada a ver com o Holocausto", declarou.

"Os dias deste regime estão contados, ele já está quase desabando. O regime (israelense) está agonizando", prosseguiu.

O presidente iraniano já negou várias vezes no passado a realidade da exterminação dos judeus pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O Irã não reconhece a existência de Israel.

Em 2005, Ahmadinejad disse que Israel deveria ser "varrido do mapa".

"As denegações repetidas do presidente Ahmadinejad são detestáveis, e mostram uma grande ignorância. É fundamental que a comunidade internacional reaja a esta onda de insultos", afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband. "A coincidência dos comentários de hoje (sexta-feira) com o início do Ano Novo judeu é mais um insulto", destacou.

A Casa Branca condenou as "mentiras sem fundamento, ignorantes e cheias de ódio" proferidas pelo dirigente iraniano.

"Quero lembrar o que o presidente disse no Cairo: negar o Holocausto é infundado e ignorante", declarou Robert Gibbs, porta-voz de Barack Obama, referindo-se ao discurso do presidente americano para o mundo muçulmano.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, considerou que Ahmadinejad é "uma vergonha para seu país".

"Com suas declarações insuportáveis, ele é uma vergonha para seu país, e seu antissemitismo reivindicado tem que ser condenado coletivamente", acrescentou Steinmeier em comunicado.

Paris também condenou "com a maior firmeza" as declarações "inaceitáveis e chocantes" do presidente iraniano, informou o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valéro.

hif/yw

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