Ahmadinejad vincula guerras a crise financeira

WASHINGTON (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse a um jornal dos EUA que a atual crise financeira se deve em parte às guerras travadas pelos EUA, e que o próximo ocupante da Casa Branca deveria abandonar as políticas belicosas de George W. Bush. Em uma outra entrevista, dessa vez a uma emissora de rádio,Ahmadinejad --que está em Nova York para a Assembléia Geral da ONU-- disse também que a AIEA (agência nuclear das Nações Unidas) oferece a melhor garantia de que o Irã só irá enriquecer urânio para fins pacíficos.

Reuters |

Na entrevista concedida na segunda-feira ao jornal Los Angeles Times, Ahmadinejad disse: "O governo dos EUA cometeu uma série de erros nas últimas décadas. Primeiro, a imposição sobre a economia dos EUA de um pesado envolvimento militar mundo afora, a guerra do Iraque, por exemplo... São custos pesados."

"A economia mundial não pode mais tolerar o déficit orçamentário e as pressões financeiras decorrentes dos mercados aqui dos Estados Unidos e do governo dos EUA", acrescentou.

Tanto ao LA Times quanto à Rádio Pública Nacional, Ahmadinejad acusou os EUA de pressionarem a AIEA a investigar o programa nuclear do Irã. Ao Times, disse também que "toda a documentação foi forjada" para questionar o caráter pacífico do programa nuclear.

"Na verdade, era tão engraçado e superficial, não aprofundado, que uma criança de escola poderia rir daquilo", afirmou o presidente ao jornal.

Os EUA acusam o Irã de manter um programa nuclear com finalidades militares, o que Teerã nega. Nesta semana, a AIEA divulgou um relatório acusando o país de não cooperar com suas atividades de fiscalização. Grandes potências ocidentais tentam agora apresentar um quarto pacote de sanções ao Irã, mas enfrenta resistência de Rússia e China.

À rádio pública, Ahmadinejad disse que os EUA deveriam oferecer à AIEA "pelo menos o equivalente a um décimo da cooperação que oferecemos". "Acreditamos que a AIEA em si oferece a melhor garantia (do caráter pacífico do programa nuclear)", acrescentou.

A Rádio Pública Nacional divulgou uma transcrição da entrevista, a ser transmitida ainda na terça-feira.

Em ambas as entrevistas, o dirigente iraniano acusou o governo Bush de agravar os problemas mundiais ao buscar o confronto.

"Não acreditamos que a perspectiva política dos EUA, olhando para o resto do mundo como um campo para a confrontação, dará bons resultados", disse ele ao Times.

"Qualquer governo (dos EUA) que chegue ao poder deve mudar suas abordagens políticas prévias", acrescentou, prontificando-se a se reunir nesta semana com os candidatos a presidente dos EUA. "Estamos interessados em ter relações amistosas."

Segundo ele, mesmo durante o governo Bush houve "muitos saltos adiante" no sentido de uma reaproximação. "Eu disse até mesmo que estaria preparado para conversar com eles na ONU", afirmou.

Ahmadinejad, que já previu a extinção de Israel, defendeu a realização de um referendo entre os palestinos para determinar o futuro de Israel, da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

"Deixe-me criar uma analogia aqui: onde exatamente fica a União Soviética hoje? Ela desapareceu --mas exatamente como? Foi pelo voto de sua própria gente. Portanto, também na Palestina devemos permitir que o povo, os palestinos, determine seu próprio futuro", afirmou ele à rádio.

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