Ahmadinejad sugere que ONU investigue 11 de Setembro

Líder iraniano condenou guerras no Iraque e no Afeganistão e questionou por que nações têm de aceitar o que EUA querem

iG São Paulo |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta sexta-feira que a ONU deveria investigar a "verdadeira razão" por trás dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, reforçando as declarações feitas em discurso, na véspera, na Assembleia Geral da organização, sobre o envolvimento do governo americano nos atentados.

"Não faço um julgamento, mas simplesmente apresento propostas para uma solução humana para os problemas que surgiram como resultado do 11 de Setembro", disse Ahmadinejad, em entrevista coletiva. "Nós também queremos chamar sua atenção para as centenas de milhares de pessoas inocentes da nossa região que foram mortas como resultado", afirmou.

Durante a entrevista, celebrada em Nova York, onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center, Ahmadinejad não quis falar sobre os comentários que seu colega americano, Barack Obama, chamou de "odiosos".

3 mil mortos

O líder iraniano convocou as Nações Unidas para investigar os atentados de 2001 em que quase 3.000  morreram, quando aviões comerciais foram sequestrados e lançados contra o World Trade Center, o Pentágono e um campo na Pensilvânia. “Eu não estou fazendo um julgamento, mas vocês não sentem que chegou a hora de se criar um comitê investigativo?", questionou Ahmadinejad, defendendo o discurso feito na véspera.

O líder iraniano lembrou ainda das consequências e das guerras pós-11 de Setembro. "Um evento ocorreu e sob o pretexto daquele evento dois países foram invadidos e, consequentemente, centenas de milhares de pessoas foram mortas. Não acham que essa desculpa deve ser revista?", acrescentou, referindo-se aos conflitos no Afeganistão e no Iraque.

"Vocês não acham que se uma missão investigativa tivesse sido criada desde o princípio para explorar as verdadeiras razões por trás do 11 de Setembro, nós veríamos a catástrofe no Afeganistão e no Iraque que vemos hoje?", continuou. "Por que vocês entendem que todas as nações devem aceitar o que o governo americano diz a elas?", concluiu.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na quinta-feira, o presidente iraniano casou revolta das delegações americana e europeias, que deixaram o plenário, ao afirmar que existe uma teoria segundo a qual alguns segmentos dentro do governo americano orquestraram os atentados para recuperar a economia americana, o domínio do país no Oriente Médio, bem como para salvar o regime sionista.

"A maioria do povo americano, bem como outras nações e políticos concordam com este ponto de vista", afirmou.

Programa nuclear

Ainda nesta sexta-feira, o presidente iraniano disse que a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, deve contatar seu colega iraniano para fixar uma data para as negociações sobre a questão nuclear.

"De acordo com planos anteriores, provavelmente em outubro um representante do Irã vai se encontrar com um membro do grupo de países 5+1", disse Ahmadinejad em Nova York, referindo-se ao grupo formado por EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha. "Acho que a Ashton, se ela contatar o representante do Irã, pode marcar uma hora para as conversações", disse Ahmadinejad.

Ministros das Relações Exteriores das seis potências disseram ao Irã na quarta-feira que esperam por uma solução negociada para o impasse sobre o programa nuclear do país, que o governo iraniano diz ser pacífico, mas o Ocidente acredita que tenha como finalidade desenvolver uma arma atômica.

*Com Reuters e AFP

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