Ahmadinejad rejeita interromper programa nuclear e propõe debate a Obama

Teerã, 25 mai (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, propôs hoje a seu colega americano, Barack Obama, a realização de um debate na ONU sobre as raízes dos problemas do mundo, mas insistiu em que seu país não negociará a interrupção de seu programa nuclear.

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Em entrevista coletiva convocada inicialmente para comentar as eleições presidenciais no Irã, marcadas para o próximo dia 12, Ahmadinejad insistiu em que não haverá movimentos diplomáticos antes do pleito.

Ainda segundo o chefe de Estado iraniano, os que acontecerem depois, no que diz respeito à polêmica nuclear, "só serão tratados no marco da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)".

"Se eu for reeleito, voltarei a convidar a Obama para debater na ONU sobre as raízes dos problemas no mundo. Mudanças fundamentais são necessárias, mas a maior delas deve ser na forma como as grandes potências dirigem o mundo", afirmou o presidente do Irã.

Perguntado sobre o que poderia oferecer em um fórum como o das Nações Unidas, no qual o tempo é limitado, Ahmadinejad afirmou que diria a Obama que "deve mudar as linhas mestras da política externa americana".

"A política atual é errônea. Devem renunciar ao expansionismo e ao colonialismo. Agora, estão cometendo o mesmo erro no Paquistão.

Precisam reconhecer os outros com respeito", afirmou.

EUA e Irã romperam seus laços diplomáticos em abril de 1980, logo após o triunfo da revolução islâmica que tirou do poder o último xá da Pérsia, o pró-ocidental Mohamad Reza Pahlevi.

Praticamente três décadas depois, Obama ofereceu ao Irã a chance de escrever um novo capítulo na história dos dois países, oferta que criou divisão e certa inquietação no setor mais conservador do regime.

Ahmadinejad reiterou hoje que essa mudança será bem-vinda se "for real" e que o primeiro passo deve ser "aceitar que há outros povos no mundo que também devem ser respeitados e tratados como iguais".

O presidente iraniano alertou que, de qualquer forma, um possível processo de aproximação aos EUA não começará antes das eleições de junho e não incluirá o programa nuclear do Irã.

"Nossas conversas se centrarão unicamente na cooperação sobre como dirigir as questões internacionais, e nada mais", afirmou.

"O tema nuclear está liquidado. Vamos prosseguir com nosso caminho dentro do marco da AIEA", acrescentou Ahmadinejad, pedindo "um desarmamento nuclear global".

"Aqueles que acham que empilhar armas nucleares dá mais poder para influir no mundo estão equivocados. Devemos acabar com as armas nucleares e, se as grandes potências começarem, será muito mais fácil para o resto", afirmou o chefe de Estado do Irã.

Aproveitando esta questão, Ahmadinejad falou sobre o teste nuclear realizado hoje pela Coreia do Norte e garantiu que seu país não coopera com o programa nuclear norte-coreano.

"Nos opomos categoricamente à produção, proliferação e uso das armas de destruição em massa", insistiu.

Países como os EUA, Israel e alguns dos principais da União Europeia acusam Teerã de esconder, sob o manto de seu programa nuclear civil, um suposto projeto militar paralelo cujo objetivo seria o desenvolvimento de armas atômicas.

Meses atrás, o grupo formado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha ofereceu ao Irã a possibilidade de suspender parte das sanções existentes contra o país em troca da interrupção de seu programa nuclear, proposta que Ahmadinejad voltou a rejeitar hoje.

Além disso, o presidente iraniano defendeu seu primeiro mandato e negou que tenha isolado o país, opinião de todos os que disputam a Presidência contra ele.

"Visitei pessoalmente todos os países vizinhos. Temos melhores relações com todos e expandimos as trocas comerciais", afirmou.

"Antes, o Irã não era nada. Agora, começam a dizer que somos importantes para a região", disse Ahmadinejad, em alusão à oferta dos EUA para que Teerã tome parte na estabilização do Afeganistão.

EFE jm/bba

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