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Ahmadinejad quer investigação de morte suspeita de Neda

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu nesta segunda-feira uma investigação judicial sobre a morte suspeita de uma jovem iraniana que se tornou ícone de manifestações da oposição contra uma contestada eleição presidencial oficialmente vencida por ele.

Redação com agências internacionais |

Ahmadinejad enviou uma carta para o chefe do Judiciário, aiatolá Mahmoud Jashemi-Shahroudi, pedindo uma séria investigação para ajudar a identificar "os elementos" por trás do assassinato neste mês de Neda Agha-Soltan, informou a agência de notícias oficial Irna.

Ele acusou a mídia estrangeira de usar o caso para propósitos de propaganda. Ele também sugeriu que a oposição e os inimigos do Irã no exterior querem usar o episódio "para seus próprios objetivos políticos e também para distorcer a imagem pura e clara da República Islâmica ao redor do mundo".


Neda virou um símbolo dos protestos no Irã / AP

A carta de Ahmadinejad acrescenta: "Peço que vocês determinem que o sistema judiciário acompanhe o caso de assassinato e identifique os elementos por trás do caso e informe a população do resultado".

Símbolo dos protestos

Neda, uma estudante de música de 26 anos, foi baleada no dia 20 de junho quando simpatizantes do candidato derrotado Mir Hossein Mousavi entraram em confronto com a polícia e com integrantes da milícia Basji em Teerã. As imagens da morte dela foram amplamente divulgadas na internet.

A mídia estatal afirma que pelo menos 10 pessoas morreram naquele dia. Eles culpam os "terroristas" e os "vândalos" pela violência. Mousavi afirma que a eleição foi fraudada para beneficiar Ahmadinejad e pede a anulação do pleito. As autoridades rejeitam a acusação.

A TV estatal iraniana afirma que Neda não foi atingida por uma bala usada por forças de segurança iranianas. Segundo a emissora, a gravação da cena e sua rápida divulgação na imprensa estrangeira sugerem que o episódio foi planejado.

Na carta a Sharoudi, Ahmadinejad classifica a morte de Neda como "suspeita", segundo a Irna.

Na semana passada o jornal britânico The Times identificou uma pessoa vista nos vídeos da internet ajudando Neda como sendo um médico que posteriormente deixou o Irã . O jornal citou o homem, de 38 anos e chamado Arash Hejazi, que teria dito que ela foi morta por milicianos do governo.

A mídia estatal afirma que 20 pessoas morreram na onda de violência que se seguiu à eleição de 12 de junho. Autoridades acusam Mousavi pelo derramamento de sangue. Já o candidato derrotado culpa o governo.

O comandante da milícia pró-governo Basji, que afirma que oito de seus homens foram mortos nos confrontos, disse que uma série de pessoas foi presa por usarem uniformes da polícia ou da Basji para fins de sabotagem, Segundo a Irna.

"A polícia prendeu vários indivíduos durante os confrontos por usarem uniformes da polícia ou da Basji", disse Hojjatoleslam Hussein Taeb, que acrescentou que 300 integrantes da milícia foram mortos nas tensões pós-eleitorais.

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* Com Reuters

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