Proposta é feita um dia depois de chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA afirmar que Washington tem plano de ataque contra Teerã

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, propôs nesta segunda-feira um diálogo cara a cara com seu colega americano Barack Obama para falar de questões mundial, durante um discurso difundido pela televisão estatal.

"Ao final do verão (setembro, no Hemisfério Norte) esperamos estar lá (nos EUA) para a Assembleia Geral (da Organização das Nações Unidas) e estarei pronto para diálogos cara a cara com o sr. Obama, em frente à mídia, é claro", disse Ahmadinejad durante uma conferência de expatriados iranianos em Teerã, indicando que gostaria de ter um debate televisionado com o líder americano. "Ofereceremos soluções para as questões mundiais e veremos quem tem as melhores soluções (para os problemas mundiais)."

Ahmadinejad já havia sugerido um debate desse tipo em setembro passado que não foi acatada por Washington. Ele disse que o predecessor de Obama, George W. Bush, rejeitou convites semelhantes porque estava "com medo".

A provocativa proposta surge no momento em o Irã lida com uma nova onda de sanções internacionais - movida por Washington - com o objetivo de pressionar a República Islâmica sobre seu programa nuclear e um dia depois de o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, o almirante Mike Mullen, dizer que os EUA têm um plano de ataque contra o Irã para evitar que o país construa uma arma nuclear, mas prefeririam não ter de usá-lo.

Em entrevista ao programa dominical "Meet the Press", da rede de televisão "NBC", Mullen afirmou que governo americano dispõe de um plano que foi preparado nos últimos meses.

O governo americano deixou claro que prioriza a estratégia diplomática e de sanções com o Irã, mas nunca deixou de fora a opção militar, segundo advertiu Mullen. "As opções militares estiveram sobre a mesa e seguem nela", assinalou o funcionário. Mullen afirmou, no entanto, que "espera que não tenhamos de chegar a esse ponto, mas é uma opção importante e é uma questão que é bem entendida" por Teerã.

Advertência do Irã

Antes das declarações de Mullen, um alto funcionário militar dos Guardiões da Revolução, Exército ideológico do regime iraniano, advertiu Washington de que uma eventual ação militar contra o Irã ameaçaria a segurança na região do Golfo, indicou a agência Irna.

"Se os EUA cometerem um erro (atacando o Irã), a segurança da região estará em perigo. A segurança da região do Golfo Pérsico cabe a todos ou a ninguém", declarou o general Yadollah Khavani, assessor para assuntos políticos do chefe dos Guardiões da Revolução, segundo a agência de notícias.

"O Golfo Pérsico é uma região estratégica. Nos defenderemos contra qualquer ação dos EUA ou de Israel", prosseguiu, afirmando que o Irã "desenvolveu sua capacidade defensiva para reforçar sua força de dissuasão".

A comunidade internacional, liderada por Washington, intensificou recentemente as pressões sobre o Irã, acusado de tentar obter a arma nuclear, alegando ter um programa nuclear civil. Teerã desmente essas acusações.

*Com Reuters, AFP e EFE

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