Ahmadinejad propõe governo já questionado por conservadores

O presidente iraniano ultraconservador, Mahmud Ahmadinejad, submeteu à aprovação do Parlamento a lista de seu gabinete, com nomes que já vem provocando fortes reticências entre seus aliados conservadores.

AFP |

A lista inclui três mulheres pela primeira vez desde a revolução islâmica de 1979 e 11 novos ministros.

"Um gabinete mais fraco", escreve nesta quinta-feira o jornal reformista Mardomsalari. O jornal conservador moderado Tehran Emrouz considerou as indicações "surpreendentes".

Entre os 21 nomes apresentados quarta-feira ao Parlamento, que deve se pronunciar sobre cada um deles a partir de 30 de agosto, cinco foram mantidos no cargo que ocupam no governo atual.

Entre eles Manouchehr Mottaki, na pasta dos Assuntos Estrangeiros, não deve representar problemas, como Shamseddine Hosseini no ministério da Economia, segundo o jornal conservador Khabar. E Ali Akbar Mehrabian, na Indústria e Minas, pode obter confiança.

O campo conservador, majoritário no Parlamento, havia pedido a Ahmadinejad que privilegiasse a competência, mais do que a fidelidade à sua pessoa.

Isto porque sua estatura política foi reduzida após a reeleição no primeiro turno da votação presidencial de 12 de junho, na qual seus adversários moderados e reformistas denunciaram uma fraude em massa.

A eleição controversa para um novo mandato de quatro anos foi seguida por manifestações que mergulharam o Irã numa crise política sem precedente desde 1979.

O presidente do Parlamento, Ali Larijani, citado pela agência Ilna, advertiu contra a falta de experiência de alguns candidatos. "O ministério não é um lugar para um aprendizado, mas requer experiência. Ser um homem ou uma mulher, jovem ou de meia idade, é só uma questão de aparência".

"Está previsto que seis candidatos não obtenham a confiança. Focamos principalmente a experiência", disse o deputado Hossien Ali Shahriari, segundo o site do Parlamento.

Para o ex-presidente do Parlamento e deputado influente Gholam Ali Hadad Adel, citado pelo jornal governista Iran, se alguns ministros não obtiverem confiança, isto não significa que os deputados procuram se vingar do presidente, mas que eles querem um governo forte e competente.

Ahmadinejad propôs para o ministério do Petróleo Massud Mir Kazemi, que não tem experiência reconhecida neste setor chave, mas tem ligações estreitas com a Guardas Revolucionária (Pasdarans), o exército ideológico do regime.

A mesma coisa para a Energia com a apresentação de um fiel, Mohammad Aliabadi, encarregado da Organização da Educação Física. Khabar não lhe dá grandes chances de ser aprovado.

Sobre as três mulheres, a candidatura de Fatemeh Adjorlou, uma enfermeira de 43 anos, para Ajuda e Assuntos Sociais, foi particularmente criticada. O deputado Akhmad Tavakoli disse que ela tem experiência sem relação com a pasta.

A candidata tem relações estreitas com a milícia islâmica bassij, particularmente dedicada à Ahmadinejad.

O presidente pode ter também dificuldades de impor seus candidatos para os postos estratégicos de Inteligência e Interior.

Para o primeiro, ele propôs Heydar Moslehi, seu conselheiro sobre os assuntos religiosos, e para o segundo Mostafah Mohammad Nadjar. Este último, que tem contra ele o fato de ser um general da ativa dos Pasdarans, pode ser recusado, segundo Khabar, pois alguns conservadores se preocupam com a influência crescente dos Pasdarans nas engrenagens do poder.

bur-pcl/lm/fp

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