Ahmadinejad pode ser o 1º presidente iraniano a não se reeleger

Teerã, 11 jun (EFE).- O presidente iraniano, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, pode entrar para a história como o primeiro líder nos 30 anos de Revolução Islâmica iraniana que não consegue se reeleger.

EFE |

Nascido em 1956, na cidade iraniana de Garmsar, filho de um ferreiro de sobrenome Saborjhian, a família do atual líder mudou de sobrenome para Ahmadinejad ("o que procura o caminho virtuoso") quando se mudou para Teerã, em busca de melhores condições de vida.

Formado em Engenharia de Transportes e Planejamento, Ahmadinejad iniciou a carreira política na década de 80, em províncias no oeste do Irã, especialmente em Ardabil, onde chegou a ser governador.

Destituído em 1997 pelo então presidente Mohamad Khatami, Ahmadinejad retornou a Teerã, onde iniciou uma escalada na Prefeitura da cidade, que o levou ao cargo de prefeito da capital.

Em 2005, quando decidiu fazer oposição ao ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani como candidato reformista, poucos acreditaram que Ahmadinejad pudesse vencer, apesar da boa reputação como líder.

No entanto, Ahmadinejad foi eleito em segundo turno, depois que alguns de seus oponentes, como Mehdi Karroubi, denunciaram irregularidades na apuração dos votos.

Ahmadinejad conta com o respaldo dos meios de comunicação estatais, do Exército e do numeroso grupo de voluntários islâmicos Basij, milícia muito disciplinada e com grande capacidade de mobilização.

Segundo os oponentes, o desemprego aumentou durante seus quatro anos de mandato, a inflação disparou e o país ficou à beira do abismo.

É criticado por quase toda a comunidade internacional, por sua decisão de retomar o polêmico programa nuclear iraniano, a repetida negação do Holocausto judeu e o desejo de acabar com o Estado de Israel.

Primeiro presidente civil do Irã nos últimos 25 anos, seu mandato representou uma piora nas relações com o Ocidente e um retrocesso das liberdades no país.

Ahmadinejad apostou em uma campanha eleitoral agressiva, na qual não só retomou seu discurso mais duro contra "as potências arrogantes", como, na mesma semana, desqualificou seus adversários e acusou seus antecessores de corrupção e de complô para derrubar seu Governo.

As declarações, que causaram grande polêmica, prejudicaram a transparência da corrida eleitoral e dividiram o país.

Contrário à negociação com o Ocidente, declarou que o diálogo sobre o polêmico programa nuclear é "um capítulo fechado" e que qualquer tipo de discussão deve se restringir à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ahmadinejad mantém o discurso oficial de que, apesar de ser um bom começo, a oferta de reconciliação do presidente americano, Barack Obama, deve passar das palavras à prática.

Mesmo assim, propôs ao líder americano um debate frente a frente na ONU, se for reeleito, para discutir as "raízes dos conflitos mundiais".

Leia mais sobre: Ahmadinejad

    Leia tudo sobre: iraira!irã

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG