TEERÃ - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu hoje à ONU, ao Tribunal Internacional e aos países do mundo a empreender ações legais e a criar um tribunal penal internacional contra Israel, Estado ao qual voltou a acusar de cometer um genocídio nos territórios palestinos.

Em discurso por ocasião do encerramento de um congresso de promotores de países muçulmanos, realizado em Teerã, o líder iraniano pediu também a formação de um tribunal internacional especial sob patrocínio da ONU que investigue "os crimes cometidos pelo Exército israelense".

"Só podemos evitar que se repita este tipo de atrocidades se dermos vários passos vitais", disse Ahmadinejad, que apelou diretamente ao promotor do Tribunal Penal Internacional.


Ahmadinejad é conhecido por seus discursos polêmicos contra Israel / AP

"Se o Conselho de Segurança for responsável por determinar quando ocorre uma violação da paz e da segurança mundial, não deve emitir uma resolução branda contra Israel quando assassina a população de Gaza, 80% civil", disse Ahmadinejad, que estava com a kufiya, o lenço tradicional palestino.

O Irã apresentou vários requerimentos à Interpol para que detenha mais de 50 responsáveis israelenses aos quais acusa de cometer crimes de guerra durante a última operação militar contra a Faixa de Gaza.

Entre as denúncias, destacam-se as contra o presidente israelense, Shimon Peres, e o então primeiro-ministro, Ehud Olmert, que deu a ordem de ataque.

Racismo

Ahmadinejad voltou também a tachar hoje o regime sionista de racista e disse que "é um regime desumano e que não respeita os princípios da fé".

Na primeira parte de seu discurso, o presidente iraniano atacou duramente "uma ideologia sem valores", que, segundo ele, apoderou-se do mundo.

"O sionismo é um sistema político muito complexo e rude que é contra a humanidade e as doutrinas dos profetas, e que foi fundado a fim de submeter o mundo", disse.

"Israel usa uma máscara falsa. Pretende ser partidário do judaísmo, mas, na realidade, não tem moral e valores religiosos", disse.

Na segunda-feira passada, durante a conferência da ONU sobre o racismo, realizada em Genebra, Ahmadinejad já havia acusado de racista o Estado de Israel, o que fez com que vários países - entre eles todos os da UE - saíssem a sala e gerou críticas de grande parte da comunidade internacional.

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