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Ahmadinejad pede atuação mais ativa de países não-alinhados

Teerã, 29 jul (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, inaugurou hoje a 15ª reunião ministerial do Movimento de Países Não-Alinhados (NOAL) em Teerã com um apelo à criação de um mecanismo para defender os interesses dessas nações e críticas à ONU e a outras organizações internacionais.

EFE |

Ahmadinejad acusou essas organizações de usar uma política de "dois pesos e duas medidas" contra os membros do NOAL, e de "servir unicamente aos interesses das grandes potências", as quais ele responsabilizou pelas crises políticas e econômicas do mundo.

Além disso, defendeu o polêmico programa nuclear iraniano, e culpou as grandes potências de tentar impedir o acesso das nações em desenvolvimento à tecnologia atômica para fins pacíficos.

A polêmica em torno das atividades nucleares iranianas e as crises no Iraque e em territórios palestinos estarão no centro da reunião do NOAL em Teerã, que tratará também de outras questões da região e internacionais.

Segundo fontes iranianas, mais de cem países de África, Ásia, América Latina e Europa estão representados nesse encontro, pelo menos 80 deles pelos ministros das Relações Exteriores, além de oito organizações regionais e internacionais.

"Há muitos exemplos da ineficácia dessas organizações internacionais e da falta de reconhecimento dos direitos dos demais países por parte do Conselho de Segurança da ONU", disse o presidente iraniano.

"Muitas organizações internacionais foram criadas para servir aos interesses das grandes potências e bloquear os demais países", acrescentou.

"É possível que o Conselho de Segurança da ONU condene os Estados Unidos e aprove resoluções contra esse país?", questionou o chefe de Estado iraniano.

Por outro lado, ele qualificou de "injusto" o recente pedido feito pelo promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) para a detenção do "respeitado" presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, por genocídio em Darfur (oeste sudanês).

Para Ahmadinejad, o pedido foi feito "enquanto muitos líderes das grandes potências causaram a morte de milhões de pessoas e não foram castigados".

O governante iraniano, cujo discurso foi transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão locais, citou como exemplos "a ocupação do Iraque e da Palestina", e "os assassinatos reconhecidos pelo regime sionista" nos territórios palestinos.

"Se as entidades internacionais tivessem atuado de forma justa e respeitando os problemas do mundo, não existiria o problema da Palestina e o Conselho de Segurança não teria reconhecido o regime de ocupação (Israel)", afirmou.

O presidente iraniano pediu que o NOAL crie um mecanismo para defender os interesses de seus membros nos fóruns internacionais e um fundo especial para financiar projetos de desenvolvimento nos países do movimento.

"O NOAL, integrado por cerca de 120 países, pode desempenhar um papel destacado para corrigir a atual situação do mundo, utilizando suas capacidades políticas e sua riqueza econômica", acrescentou Ahmadinejad.

As opiniões do presidente iraniano foram apoiadas por várias personalidades políticas na reunião de Teerã, entre eles o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, que destacou a importância de reformar o NOAL.

"Os países em vias de desenvolvimento têm agora muitos problemas e desafios. (A reforma do NOAL) deveria ter começado desde o desaparecimento da União Soviética", disse Moussa em Teerã, onde foi recebido por Ahmadinejad.

O presidente iraniano também se reuniu separadamente com os chanceleres de Cuba, Felipe Pérez Roque, e da Nicarágua, Samuel Santos, para discutir sobre como apoiar o papel do NOAL nos fóruns internacionais, entre outras questões de cooperação bilateral.

"Apesar da distância geográfica, nada pode distanciar as relações bilaterais entre Irã e Nicarágua, que devem ser ampliadas de forma rápida", disse o governante iraniano durante sua conversa com Santos, segundo a imprensa iraniana.

"Nossos dois povos são irmãos e aliados, e devem se preparar para as novas condições do mundo através do fortalecimento das relações entre eles", acrescentou.

Ahmadinejad também criticou a presença militar americana no Oriente Médio, especialmente no Iraque e no Golfo Pérsico, e considerou que "as condições mundiais estão mudando de forma rápida a favor dos povos revolucionários".

Ele expressou uma postura similar durante o encontro com o chanceler de Cuba, e ressaltou a necessidade de empregar as capacidades políticas e econômicas do NOAL em apoio ao papel desempenhado pelo movimento nos fóruns internacionais.

"Os países do NOAL têm muito peso em nível internacional e podemos aproveitá-lo a favor de seus membros, e também fortalecer as relações bilaterais" entre os integrantes do movimento, afirmou.

Desde que chegou ao poder no Irã, em 2005, Ahmadinejad deu muitos passos visando à aproximação entre o país e os Estados latino-americanos, especialmente Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia.

"Irã e Cuba estão dotados com elevados potenciais revolucionários que devem ser empregados no fortalecimento das relações entre ambos os países", disse.

Analistas do NOAL iniciaram há dois dias em Teerã uma reunião preparatória para a conferência, e nela o Governo iraniano pediu o apoio dos países do movimento à candidatura do Irã para ser membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU de 2009 a 2010.

Segundo fontes iranianas, na minuta para a conferência, que será aprovada pelos ministros, destaca-se a necessidade de reformar as Nações Unidas, de respeitar as religiões e de "fazer frente às sanções e às políticas arrogantes".

O documento também pede o fortalecimento da luta contra o terrorismo e o tráfico de drogas. EFE msh/ab/db

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