O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, exigiu nesta quarta-feira, durante um longo discurso, que os Estados Unidos retirem suas tropas de todo o mundo e peçam desculpas pelos crimes cometidos contra o Irã, dois dias depois de o presidente americano Barack Obama ter se declarado disposto a iniciar um diálogo com Teerã.

Ahmadinejad, que recoloca seu mandato em jogo em junho próximo, tem toda a confiança da máxima autoridade do Estado, o aiatolá Ali Khamenei, que ainda não respondeu à proposta de Obama.

A mensagem do presidente iraniano a Obama foi sem concessões. "Os que falam em mudança têm que pedir desculpas ao povo iraniano e tentar consertar seus atos passados e os crimes que cometeram contra o Irã", afirmou ele durante o discurso, pronunciado na cidade de Kermanshah (oeste).

Ahmadinejad enumerou em seguida uma lista de reclamações iranianas contra os Estados Unidos, citando, inclusive, a organização pelos americanos em 1953 de um golpe de Estado para derrubar o então primeiro-ministro, Mohammad Mossadegh.

Ele também mencionou a oposição de Washington à revolução islâmica de 1979, e o apoio dos Estados Unidos ao Iraque no conflito entre Bagdá e Teerã.

Os Estados Unidos e o Irã não têm mais relações diplomáticas desde 1980.

Obama, que assumiu oficialmente em 20 de janeiro e cujo lema de campanha era a "mudança", se declarou segunda-feira disposto a iniciar um diálogo com o Irã, desde que este país "abra o punho".

Terça-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton reiterou esta mensagem, conclamando o Irã a "manifestar seu desejo de abrir um diálogo sério" e destacando que para Washington, cabe aos dirigentes iranianos decidirem "abrir ou não o punho".

No entanto, Ahmadinejad enumerou uma série de condições prévias para a abertura de um diálogo.

Ele pediu a Washington que "respeite os povos", que "não se intrometa mais nos assuntos dos outros povos", que "deixe de apoiar os sionistas sem raízes, ilegais e fantoches", e, por fim, que "permita ao povo americano tomar suas próprias decisões".

Todas estas condições tinham sido enumeradas recentemente por um conselheiro do presidente iraniano.

Na opinião do Irã, cabe a Obama, além do pedido de desculpas e da reparação dos "crimes" americanos, marcar uma ruptura radical com seu predecessor George W. Bush.

"Se alguém quiser falar com o povo iraniano com as mesmas disposições que Bush mas com palavras diferentes, a resposta do Irá será a mesma que a que foi dada nos últimos anos a Bush e a seus lacaios", advertiu Ahmadinejad.

Bush condicionava a abertura de discussões com Irã à suspensão pelo regime islâmico de suas atividades nucleares sensíveis.

O novo presidente americano se declarou no passado favorável a um diálogo sem condições com o Irã, mas o objetivo final de sua administração é o mesmo que o do governo anterior.

A nova embaixadora americana na ONU, Susan Rice, ressaltou segunda-feira que o objetivo das pressões internacionais contra a República Islâmica é "conseguir o fim do programa nuclear iraniano".

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