Ahmadinejad ganhou eleição no Irã, segundo agência oficial Irna

O atual presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, foi reeleito nas eleições desta sexta-feira, anunciou a agência estatal Irna, pouco depois de seu principal adversário, o reformista Mir Hossein Mussavi, ter reivindicado a vitória. O anúncio ainda não é oficial.

Redação com agências |

Ahmadinejad está à frente na contagem dos votos das eleições desta sexta-feira, alcançando 69% com 19% das urnas apuradas, informou o diretor da organização eleitoral.

"O doutor Ahmadinejad é o vencedor definitivo da 10ª eleição presidencial por uma maioria dos votos", indicou a Irna. A informação foi divulgada pela agência apenas poucos minutos depois de anúncio semelhante por parte de Mussavi, que reivindicou a vitória alegando ter obtido cerca de 65% dos votos.

AP
O presidente Ahmadinejad vota nesta sexta-feira

Dia de eleições

Os iranianos lotaram os locais de votação nesta sexta-feira em uma eleição bastante acirrada.  Nesta manhã, Sadegh Kharazi disse à Reuters que as pesquisas feitas pelos reformistas mostram que o ex-primeiro-ministro teve entre 58% e 60% dos votos até agora.

"Posso dizer, com base em nossas pesquisas, que Mousavi está obtendo entre 58% e 60% dos votos e nós somos os vencedores", disse ele.

Um representante de Ahmadinejad, no entanto, afirmou que o presidente conservador está à frente na votação presidencial.

"Baseado na avaliação da posição de Ahmadinejad, ele está à frente... com 60% dos votos e nós estamos certos de que a eleição terminará no primeiro turno em seu favor", disse Ali Asghar Zarei, segundo a agência de notícias Mehr News. Ele é o representante de Ahmadinejad no órgão supervisor das eleições, informou a Mehr.

Oposição

Quatro candidatos estão na disputa, sendo que o maior concorrente de Ahmadinejad é o moderado Mousavi, cujos eleitores fizeram uma passeata pelas ruas de Teerã aos milhares para mostrar apoio.

Uma vitória de Mousavi ajudaria a diminuir as tensões entre Teerã e o Ocidente, que tem preocupação com as ambições nucleares do Irã, e aumentaria as chances de um entendimento com o presidente dos EUA, Barack Obama, que tem falado sobre um recomeço nas relações entre os dois países.

Pró-reformas

A alta participação pode indicar a presença de muitos eleitores pró-reformas que se abstiveram quando Ahmadinejad conquistou uma surpreendente vitória nas urnas quatro anos atrás com a promessa de retomar os valores da revolução islâmica de 1979.

A votação despertou interesse em todo o mundo, já que muitas autoridades esperam sinais de aproximação por parte do Irã, cujos laços com o Ocidente pioraram sob o governo de Ahmadinejad.

Para os iranianos, a eleição é uma chance de julgar os quatro anos de governo de Ahmadinejad.

Embora o presidente, de 52 anos, diga que seu governo reviveu o crescimento econômico e coibiu os aumentos de preços, a inflação e elevado desemprego foram os principais temas da campanha eleitoral. A inflação oficial está por volta de 15%.

Questões sociais, como o rígido código de vestimenta para as mulheres, bem como as relações do Irã com outros países também foram tema da campanha, mas o resultado da votação não trará uma grande mudança na política externa do país, que é determinada pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Mousavi, de 67 anos, rejeita as exigências do Ocidente de interrupção do enriquecimento de urânio, mas analistas dizem que ele teria uma atitude diferente quanto às relações entre o Irã e os EUA e nas conversações sobre o programa nuclear iraniano. O Ocidente teme que o objetivo iraniano seja a fabricação de bombas nucleares, o que o país nega.

Resultados preliminares devem ser divulgados no sábado.Se nenhum candidato obtiver 50% mais um voto, será organizado um segundo turno no dia 19 de junho.

Votação em massa

A participação em massa e as denúncias de irregularidades de parte da oposição marcaram hoje as décimas eleições presidenciais da era revolucionária no Irã, nas quais o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad busca a reeleição. Desde as primeiras horas da manhã, famílias inteiras foram aos mais de 49 mil colégios eleitorais espalhados por todo o país em uma jornada de reivindicação e festa, apenas nublada por alguns atos de vandalismo.

Segundo os primeiros dados divulgados pelo Ministério do Interior, a participação rondaria 75%, número recorde que obrigou a estender durante várias horas o fechamento dos colégios.

Nas ruas de Teerã, as longas filas de eleitores tinham uma cor quase comum, dependendo do local da capital no qual se encontrassem.

No norte, a zona mais rica da cidade, sobressaiu o verde dos seguidores do ex-primeiro-ministro Mir Hussein Musavi, principal rival do presidente. No sul, onde se concentra a maioria dos bairros mais desfavorecidos, dominava o verde, branco e vermelho da bandeira do Irã, adotado por Ahmadinejad.

No entanto, e ao contrário de 2005 quando Ahmadinejad arrasou no segundo turno, era possível ver muitos partidários de Musavi e dos outros dois candidatos, o clérigo reformista Mehdi Karrubi e o conservador Mohsen Rezaei.

A crise econômica foi, no entanto, uma das principais razões pelas quais grande parte da população optou por Musavi, de quem se lembra como um bom gerente durante os anos difíceis em que comandou o Governo, entre 1981 e 1989, em plena guerra com o Iraque.

Denúncias de fraude

A festa eleitoral foi, no entanto, ofuscada pelas denúncias de possível fraude feitas pela oposição e alguns atos de vandalismo contra sedes reformistas.

Segundo Ali Akbar Mortazaminpour, chefe do comitê de supervisão dos votos de Musavi, "mais de 40% dos colégios da capital careceram de observadores".

Aparentemente, muitos dos delegados, tanto de Musavi como de Karrubi, não puderam exercer sua função já que as credenciais que receberam "tinham erros, e inclusive fotos trocadas".

Mortazaminpour denunciou também que o citado comitê nacional emitiu "mais de sete milhões de cédulas a mais do que as necessárias para a votação".

Em Queitarieh, uma dezena de milicianos voluntários islâmicos "Basij" atacaram com bombas de fumaça uma das sedes de Musavi, embora sem causar feridos.

"Houve muita confusão, mas felizmente não houve feridos. Tivemos que evacuar o prédio, mas nada mais", explicou um dos afetados.

Os resultados finais, que devem ser validados pelo poderoso Conselho de Guardiães, serão conhecidos 24 horas depois do fechamento dos colégios.

No caso de que nenhum dos quatro candidatos consiga mais de 50% dos votos emitidos e considerados válidos, deverá ser realizado um segundo turno, já previsto para a próxima sexta-feira.

(Com informações da Reuters, AFP e da EFE)

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