Ahmadinejad exige fim de interferência dos EUA; protestos no Irã matam ao menos 10

Teerã - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, exigiu neste domingo que Estados Unidos e Reino Unido parem de interferir nos assuntos internos do país, informou a agência estudantil de notícias Isna.

Redação com agências internacionais |

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    "Eles querem minimizar a grandeza que o povo iraniano alcançou dentro e fora do país após as eleições presidenciais" de 12 de junho, afirmou Ahmadinejad.

    O mesmo tom foi dado pelo presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, que pediu aos legisladores do país que reconsiderem as relações com Reino Unido, Alemanha e França. Eles acusam essas nações de instigar os distúrbios registrados no Irã desde que foram divulgados dos resultados da eleição presidencial no último dia 12.

    Reuters
    Confronto nas ruas de Teerã

    Confronto nas ruas de Teerã

    Ação "vergonhosa"

    Segundo a rádio oficial, Larijani classificou como "vergonhosa" a postura adotada pelas três potências europeias e pelos Estados Unidos. Em resposta, sugeriu à Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento que "repense os laços com os três países europeus".

    O pedido do parlamentar foi feito horas depois de o ministro de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, ter acusado Alemanha, França e Reino Unido de tentar interferir nos assuntos internos do Irã.

    Em um discurso aos diplomatas estrangeiros exibido na TV estatal, o chefe da diplomacia iraniana deu a entender que as três potências europeias estão por trás dos distúrbios e dos protestos que sacodem o Irã desde a semana passada.

    "Os políticos de certos países fizeram declarações intrusivas e irresponsáveis (...). Eles deveriam pensar duas vezes antes de questionar o processo democrático das últimas eleições", afirmou.

    Mottaki foi especialmente duro com a Chancelaria britânica, que, segundo disse, perturba a paz no Oriente médio para "proteger o Estado sionista (Israel)".

    Além disso, pediu à França que se desculpe pelas declarações do presidente Nicolas Sarkozy, que disse ter certeza de que são verdadeiras as denúncias de fraude nas eleições.

    Sobre os diplomatas alemães, o ministro iraniano disse que estão "intimidados" por Israel.

    Protestos e mortes

    O Irã é palco de protestos e violentos confrontos desde que há uma semana o Ministério do Interior concedeu ao atual presidente Mahmoud Ahmadinejad uma polêmica vitória por uma surpreendente maioria absoluta . Mousavi denuncia que o triunfo é consequência de uma fraude maciça que foi planejada com meses de antecedência.

    A situação foi especialmente tensa neste sábado , uma vez que as Forças de Segurança e as milícias islâmicas "Basij" reprimiram com violência uma tentativa de manifestação no centro de Teerã.

    As consequências da repressão são desconhecidas com exatidão, porque as autoridades iranianas vetaram a presença da imprensa internacional nas ruas do País. Mesmo assim, testemunhas informaram que houve dezenas de feridos e de detidos .

    Reuters
    A TV estatal iraniana chegou a informar que 13 pessoas haviam morrido nos confrontos de sábado, mas em seguida disse que eram ao menos 10 . Fontes não oficiais afirmam que pelo menos 19 pessoas teriam morrido. As informações têm sido divulgadas por manifestantes que driblam a censura e usam a internet para divulgar fotos, vídeos e textos.

    No final do dia, Mousavi pediu a seus seguidores para continuar com os protestos e a empreender uma greve geral em todo o País. Além disso, se mostrou disposto a se sacrificar em favor da luta.

    (*com informações da Reuters, Efe e AFP)

    Vídeo é divulgado por manifestantes no YouTube:

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