Teerã, 20 ago (EFE).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, passará por uma difícil prova na próxima semana, quando o Parlamento do país se pronunciará sobre o novo gabinete do Executivo, inicialmente recebido com reservas.

A imprensa estatal informou hoje que os nomes de novos 21 ministros foram apresentados por Ahmadinejad ao Legislativo pouco antes da meia-noite de quarta-feira, quando expirava o prazo de duas semanas estipulado pela lei.

A forma como o processo caminha parece confirmar os obstáculos enfrentados pelo chefe de Estado, que está sendo pressionado até mesmo pelas fileiras conservadoras, que são maioria no Parlamento.

Alguns dos membros mais moderados do partido governista, como o vice-presidente da Câmara, Mohamad Reza Bahonar, já disseram que vários dos indicados não têm sua aprovação e poderão ser vetados.

"Alguns dos meus colegas e eu mesmo achamos que pelo menos cinco ministros propostos não receberão o voto de confiança" dos parlamentares, disse Bahonar à estatal "Press TV".

O deputado disse ainda que a maioria dos ministros indicados será aprovada por uma pequena margem de votos.

A votação da próxima semana terá como pano de fundo a divisão que se instituiu entre os tradicionalistas do regime após as polêmicas eleições presidenciais de 12 de junho, admitida hoje pelo próprio presidente do Parlamento, o conservador moderado Ali Larijani.

"Posso confirmar que existem diferenças entre os tradicionalistas, mas a maioria destas é (só) de opinião", disse Larijani, citado pela agência de notícias local "Mehr".

Quando manifestou a intenção de renovar o Executivo, Ahmadinejad, que se sente fortalecido por sua vitória nas eleições - consideradas fraudulentas pela oposição - disse que privilegiaria políticos jovens próximos à sua geração e à sua ideologia, muito mais dura e conservadora. No entanto, os deputados o aconselharam a montar um Executivo experiente e com formação.

O primeiro round desta queda-de-braço foi perdido pelo presidente, que em julho, por imposição do líder supremo da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, se viu forçado a tirar seu genro, Esfandiar Rahim Mashaie, da Vice-Presidência.

Mesmo assim, Ahmadinejad cumpriu a promessa de se cerca de aliados e compôs um Executivo renovado, com rostos jovens e nomes provenientes dos setores mais conservadores.

A principal novidade no gabinete foi a indicação, pela primeira vez nos 30 anos de história da República Islâmica, de três mulheres.

A deputada conservadora Fateme Ayorlu, de 43 anos, foi escolhida para assumir o Ministério de Bem-estar Social. Já a ex-deputada Marzie Vahid Dastyerdi, uma ginecologista de 50 anos, foi proposta para o Ministério da Saúde.

A outra indicada, para a pasta de Educação, foi Susan Keshvard, doutora em Filosofia.

Em declarações à agência de notícias local "Mehr", o parlamentar Effat Shariati elogiou a iniciativa de Ahmadinejad de integrar as mulheres ao Governo. Mas advertiu que a "a competência é mais importante que o sexo".

Certa resistência também encontrou a indicação do ex-vice-ministro de Comércio Massoud Mirkazemi para o Ministério do Petróleo, crucial num país que tem as terceiras maiores reservas de petróleo e gás do mundo.

Segundo avaliações feitas hoje por alguns analistas, a confirmação de Mirkazemi pode ser uma das mais difíceis, já que, aparentemente, ele não tem muita formação técnica no setor, algo que os deputados apreciam muito.

No entanto, assim que a indicação foi conhecida, o representante do Irã na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohamad Ali Khatibi, disse que Mirkazemi conta "com o respeito de toda a indústria petrolífera" iraniana.

Ahmadinejad também apostou na permanência de alguns ministros, como o atual chefe da diplomacia iraniana, Manouchehr Mottaki.

Já para o Ministério do Interior, ele propôs Mostafa Mohamad Najjar, que será substituído no Ministério da Defesa pelo general Ahmad Vahidi, ex-vice-ministro da mesma pasta.

Além disso, o chefe de Estado promoveu o chefe da Comissão Eleitoral Nacional, Kamram Daneshjoo, para o Ministério da Ciência, Pesquisa e Tecnologia.

Segundo a imprensa local, a previsão é que o Parlamento comece suas deliberações no próximo domingo e que, uma semana depois, decida se aprova ou não o gabinete. EFE jm/sc

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