Ahmadinejad encerra primeira visita à Turquia sem conseguir acordo sobre gás

Istambul, 15 ago 15 (EFE).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, concluiu hoje sua primeira visita à vizinha Turquia, onde não conseguiu a desejada assinatura de um acordo sobre gás, mas aproveitou sua presença em Istambul para defender o direito de seu país de desenvolver tecnologia nuclear com fins pacíficos.

EFE |

Após uma reunião na quinta-feira de seis horas com o presidente turco, Abdullah Gül, as duas delegações assinaram uma série de acordos para fortalecer a cooperação em áreas como a luta antiterrorista, a melhora do meio ambiente, o transporte, o turismo, assim como na troca cultural entre bibliotecas e arquivos.

No entanto, o grande acordo para aumentar a troca de gás natural entre Turquia e Irã - que contava com a oposição de Estados Unidos e Israel, dentro das sanções contra Teerã como medida de pressão para impedir que produza armas nucleares - não foi assinado.

Fontes turcas disseram que Ancara não quer armas nucleares na região e que o Irã deve conseguir que seu programa nuclear seja suficientemente transparente para convencer a comunidade internacional de que não tem fins militares.

Ahmadinejad aproveitou o cenário de Istambul para, em entrevista coletiva, reiterar sua mensagem de que seu país apenas defende seu direito legítimo à energia atômica, e acusou "aqueles que têm bombas atômicas" de usá-las como uma desculpa para impedir que outras nações possam ter acesso a "essa energia pacífica e propícia ao meio ambiente".

O líder iraniano se mostrou confiante de que conseguirá o acordo energético com Ancara em um futuro próximo.

"A Turquia é o país mais importante para o transporte de gás iraniano à Europa", disse.

Todos estes temas, no entanto, ficaram relegados a um segundo plano na imprensa turca, que concentrou suas críticas nos problemas causados pelas extremas medidas de segurança mobilizadas pelas autoridades nacionais, que paralisaram totalmente o trânsito em Istambul.

"Sinto muito por isso. Mas aqui sou um hóspede. As medidas de segurança foram adotadas pelas autoridades turcas. Provavelmente estavam preocupadas com terroristas sionistas", disse Ahmadinejad, ao ser questionado, em entrevista coletiva, sobre a incômoda situação para os cidadãos e turistas.

"Em Teerã, não permito fechar as ruas (durante as visitas oficiais). Eu sou um líder que vive no meio do povo e gostaria de poder fazer o mesmo aqui", acrescentou.

Hoje, os presidentes do Irã e da Turquia mantiveram um encontro com o empresariado de ambos os países, antes de assistir à reza da sexta-feira na histórica mesquita Sultanahmet, ato que foi interpretado também como uma clara mensagem político.

A delegação iraniana não esteve disposta a visitar o mausoléu do fundador da secular República da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk, em Ancara, razão pela qual o antecessor de Gül na Chefia do Estado, Ahmet Necdet Sezer, um secularista convicto, nunca convidou o líder vizinho a visitar o país.

Este motivo também está por trás do fato de que a visita foi catalogada como de trabalho, e extra-oficial, e aconteceu em Istambul, em vez de na capital, Ancara.

"Estou feliz de orar aqui. Isso mostra que estou junto ao povo turco", disse Ahmadinejad hoje na mesquita de Istambul.

Antes de retornar esta noite a Teerã, o presidente iraniano se reunirá ainda com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que por sua vez acaba de realizar uma visita a Moscou e Tbilisi, diante do conflito entre os dois em torno da separatista região georgiana da Ossétia do Sul. EFE dt/an POL:POLÍTICA,CONFLITO DCG:é:16010000:Distúrbios e conflitos:Conflito (geral)

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