A comissão eleitoral do Irã declarou, neste sábado, que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito nas eleições presidenciais realizadas na sexta-feira. Com mais de 80% das urnas apuradas, as autoridades eleitorais afirmaram que Ahmadinejad obteve 64% dos votos, o dobro de seu principal rival, o reformista Mir Hossein Mousavi (32%).

Mousavi esperava que o líder iraniano obtivesse menos do que 50% dos votos, o que levaria a disputa para o segundo turno. O reformista contestou os resultados, argumentando que houve "irregularidades" na contagem das cédulas.

Mousavi chamou o pleito de "charada pergiosa", afirmando que faltaram cédulas de votação e que milhões de pessoas teriam tido seu direito de votar negado. Ainda segundo ele, seus monitores eleitorais teriam sido impedidos de entrar nos postos eleitorais.

Após a divulgação dos resultados, a polícia fez uma barreira em frente ao comitê de campanha de Mousavi, impedindo que seus partidários dessem uma coletiva de imprensa.

O correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, disse que a polícia está prevenindo demonstrações de apoio ou protesto aos resultados do pleito.

Surpresa
De acordo com o analista para questões iranianas da BBC, Sadeq Saba, ninguém esperava que a Ahmadinejad ganharia as eleições com uma margem tão ampla de votos, e que os eleitores de Mousavi estão demonstrando "choque e descrença".

Ainda segundo ele, a reeleição do líder iraniano sugere que não haverá uma mudança significativa nas políticas externa e interna do Irã.

No entanto, afirma Saba, as eleições trouxeram esperança para milhões de pessoas que acreditaram que seria possível mudar o rumo do país através do voto.

Mas agora, a esperança de uma reforma pacífica no Irã pode morrer durante os anos que virão, acrescenta ele.

As eleições presidenciais da sexta-feira foram marcadas por enormes filas em seções eleitorais.

O alto comparecimento dos eleitores às urnas - classificado como "sem precedente" pelas autoridades - fez com que o período de votação fosse estendido em duas horas.

De acordo com autoridades eleitorais, o comparecimento pode ter superado 80% dos eleitores.

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