Ahmadinejad é reeleito presidente do Irã, mas Musavi rejeita resultados

O ultravonservador Mahmud Ahmadinejad foi reeleito por esmagadora maioria de votos presidente do Irã, segundo dados oficiais divulgados neste sábado e rechaçados por seu principal rival, Mir Hosein Musavi, cujos partidários entraram em confronto com a Polícia em Teerã.

AFP |

O líder supremo e número um do regime islâmico, o aiatolá Ali Khamenei, que havia manifestado de forma indireta seu apoio a Ahmadinejad, disse que a reeleição deste para um novo mandato de quatro anos é "uma verdadeira festa" e classificou as eleições de "êxito maciço".

Musavi, um ex-primeiro-ministro conservador moderado, denunciou "claras e numerosas irregularidades" que colocam o Irã, segundo disse, frente a um "panorama perigoso".

Milhares de partidários de Musavi ocuparam o centro da capital e em vários bairros enfrentaram a Polícia, de acordo com testemunhas e correspondentes da AFP.

Nas eleições de sexta-feira, Ahmadinejad, de 52 anos, obteve 62,63% dos 39.165.191 votos, contra os 33,75% de Musavi, anunciou neste sábado o ministro do Interior, Sadegh Mahsuli.

O conservador Mohsen Rezai ficou com 1,73%; e o reformador Mehdi Karubi, 0,85%. Este também denunciou os resultados como "ilegítimos" e "inaceitáveis".

As eleições registraram a participação recorde de 85% dos eleitores.

O Ministério do Interior não indicou irregularidades.

Musavi denunciou "claras e numerosas irregularidades", afirmando que era seu "dever religioso e nacional revelar os segredos deste processo perigoso e explicar suas consequências destruidoras para o destino do país".

O ex-primeiro-ministro pediu a seus partidários que reajam com calma. "As pessoas estão conscientes e não se submeterão àqueles que chegam ao poder com fraudes", declarou.

A Polícia havia proibido qualquer reunião de partidários de um candidato após o final das eleições, mas milhares de leais a Musavi se reuniram no centro de Teerã bradando palavras de ordem hostis ao governo.

"Abaixo o ditador!", "Abaixo o golpista!", gritavam os inconformados manifestantes, reunidos na praça Vanak.

A reeleição de Ahmadinejad levará a "um aumento da repressão contra os opositores" e ao "aumento dos esforços para a produção da bomba atômica", denunciou neste sábado o Conselho Nacional de Resistência Iraniano (CNRI, oposição) em um comunicado.

O principal movimento de oposição iraniano também acusou o poder de ter inflado o índice de participação "em quatro ou cinco vezes" e frisou que "mais de 85% dos iranianos boicotaram o espetáculo eleitoral dos mulás (líderes religiosos islâmicos)".

O assessor de imprensa de Ahmadinejad, Ali Akbar Khavanfekr, afirmou que a reeleição reforça a posição do chefe de Estado, o que permitirá a ele lutar de maneira séria e imediata contra a corrupção nas instituições.

A expectativa criada em torno de uma possível derrota de Ahmadinejad levou na sexta-feira o presidente norte-americano, Barack Obama, a afirmar que uma "mudança é possível" no Irã.

O vice-chanceler israelense, Danny Ayalon, disse neste sábado que "se ainda havia esperanças de uma mudança no Irã, a reeleição de Ahmadinejad mostra que a ameaça iraniana é muito mais grave".

bur/dm

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