Ahmadinejad e Mussavi reivindicam vitória no Irã

O presidente ultraconservador, Mahmud Ahmadinejad, e o conservador moderado Mir Hossein Mussavi reivindicaram vitória nas eleições presidenciais realizadas nesta sexta-feira no Irã, que registraram alta participação.

AFP |

Com 35,2% dos votos apurados, Ahmadinejad lidera com 69,88%, informou o presidente da comissão eleitoral, Karman Daneshju.

Ahmadinejad já recebeu 7.027.919 votos, contra 2.955.131 para o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi, principal adversário do atual presidente, que obtinha 28,87%.

O ex-comandante da Guarda Revolucionária, Mohsen Rezai, está em terceiro, com 162.909 votos (1,72%), enquanto o ex-porta-voz do Parlamento Mehdi Karrubi vem em quarto, com 88.474 (0,86%).

Daneshju não informou a origem dos votos já computados, referindo-se apenas à contagem de votos em todo o país.

A agência oficial de notícias Irna anunciou que Ahmadinejad foi reeleito: "O doutor Ahmadinejad é o vencedor definitivo da 10ª eleição presidencial por uma maioria dos votos".

Hossein Mussavi também proclamou sua vitória: "De acordo com as informações que recebemos, sou o vencedor destas eleições por uma margem substancial".

"Agradeço o empenho dos eleitores (...). Hoje tivemos pessoas que jamais haviam votado. Tivemos filas de espera nas quais as pessoas esperaram por duas, três horas", declarou o candidato.

Mussavi destacou que seus fiscais constataram falta de cédulas em algumas cidades e que comitês de seu partido "foram atacados".

"Com o apoio do povo, punirei as pessoas que deram origem a estes atos ilegais", advertiu Mussavi.

"Esperamos que a apuração seja feita corretamente e que possamos organizar uma festa. É preciso respeitar a vontade do povo", concluiu.

As eleições tiveram uma participação espetacular, o que atrasou a votação em diversas seções.

"A participação deve superar (...) os 70%", declarou um membro do Conselho dos Guardiães da Constituição, Mohsen Esmaili, que supervisionou a votação.

Segundo Agha Mohammadi, ex-membro do Conselho de Segurança Nacional, Ahmadinejad deve vencer com uma vantagem pequena, evitando o segundo turno.

"De acordo com as informações que temos, a participação geral dos eleitores foi de 70%, e Ahmadinejad terá pouco mais de 50% dos votos".

Além disso, o atual presidente está liderando a contagem dos votos no interior do país, onde habitam 33% dos eleitores, e nas pequenas e médias cidades, onde estão 34% deles.

"Nas grandes cidades e em Teerã, em algumas partes Mussavi lidera e em algumas partes, Ahmadinejad."

A taxa de participação entre os 46,2 milhões de eleitores iranianos era considerada um fator chave para Mussavi chegar ao segundo turno contra Ahmadinejad.

Se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos, haverá segundo turno no dia 19 de junho.

A campanha refletiu as divisões profundas sobre o futuro do Irã, depois de quatro anos de mandato de Ahmadinejad.

Os adversários criticaram a retórica violenta de Ahmadinejad durante a crise nuclear e contra Israel, o que contribuiu para isolar o país no cenário internacional.

O presidente ultraconservador retomou a bandeira da justiça social e da defesa dos mais pobres, que já havia usado em 2005. Endureceu o discurso com ataques pessoais contra Mussavi, a quem acusou de ser apoiado pelos "aproveitadores" do regime.

Mussavi, que retornou à vida política iraniana com força após 20 anos de ausência, denunciou as "mentiras" do presidente sobre seu balanço econômico e sua política populista.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou acreditar na mudança no Irã: "Estamos entusiasmados de que haja, ao que parece, um forte debate" no país.

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