Ahmadinejad diz que relação com Ocidente mudou depois de eleições

Teerã, 25 jun (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse hoje que a relação com o Ocidente mudou depois de sua polêmica reeleição, enquanto a oposição procura maneiras alternativas de manter os protestos.

EFE |

Desafiante, o líder iraniano aproveitou a inauguração de um projeto petroquímico, realizada hoje, para mandar uma mensagem a seu colega americano, Barack Obama, e à União Europeia, que acusam o Irã de ocultarem um programa de arma nuclear.

"Os ocidentais pensavam que podiam destruir a autoridade do povo iraniano com propaganda falsa. Devem saber que a partir de agora o Irã falará com outra posição, tratará os inimigos por uma nova perspectiva", ameaçou.

"Acabou o tempo em que os países arrogantes dominavam outros países do mundo. O Ocidente deve abrir os olhos, já que o Irã se preparou para qualquer eventualidade", acrescentou Ahmadinejad.

O presidente, cuja polêmica reeleição gerou uma onda de protestos e enfrentamentos em seu país, violentamente reprimidos pelas forças de segurança, fez um discurso contra Obama, acusado de interferir nos assuntos internos do Irã.

"Obama cometeu um erro dizendo essas coisas. Agora eu quero saber o motivo de ele ter decidido seguir a linha de Bush", afirmou Ahmadinejad.

"Se esse é o tom que ele pretende manter, então não tenho nada a falar. Espero que ele deixe de se intrometer e que se desculpe de uma maneira clara, que o povo iraniano entenda", disse.

Desde que, no dia 13 de junho, o Ministério do Interior concedeu uma surpreendente e polêmica vitória eleitoral a Ahmadinejad, o Irã tem sido palco de protestos, nos quais pelos menos 20 pessoas morreram e centenas foram presas.

Obama pediu, dias atrás, que os protestos sejam permitidos, já que foram reprimidos duramente pela Polícia e pela forças de membros da milícia islâmica Basij.

No entanto, o Irã acusou o Ocidente, especialmente os EUA e o Reino Unido, de estimularem os distúrbios, com o objetivo de realizarem o que chamou de "uma revolução de veludo".

Teerã e Washington romperam seus laços diplomáticos em abril de 1980, depois do triunfo da revolução islâmica que tirou o último xá da Pérsia do poder, o pró-ocidental Mohammad Reza Pahlevi.

Desde sua chegada à Casa Branca, Obama mudou o rumo das relações com o Irã, mas teve reservas em relação ao setor mais duro do regime teocrático iraniano.

Em um dos vários gestos de abertura, Washington convidou diplomatas iranianos a participarem das celebrações do dia 4 de julho, convite que foi retirado diante da nova situação criada.

Enquanto isso, a oposição procura maneiras alternativas para manter as mobilizações e evitar a repressão da Polícia.

Amanhã, centenas de balões verdes serão lançados ao ar, em homenagem a Neda, a menina iraniana cuja morte durante uma manifestação em Teerã deu a volta ao mundo e se transformou no símbolo da luta.

Fontes ligadas ao principal líder da oposição, Mir Hussein Moussavi, disseram à agência Efe que a homenagem será feita a partir das 13h (5h30, horário de Brasília) com o lema "Neda, você sempre estará em nossos corações".

Pelo menos 20 pessoas foram mortas nas duras repressões das manifestações, segundo números oficiais, entre eles, oito milicianos islâmicos Basij.

Moussavi disse que as ameaças não poderão impedir que o povo iraniano conquiste seus direitos.

Em comunicado divulgado hoje na site "Kalameh", o ex-primeiro-ministro pede a seus seguidores que mantenham os protestos pacíficos contra os resultados das eleições presidenciais, realizadas no dia 12 de junho, considerados fraudulentos pela oposição.

"Nem as ameaças, nem os interesses pessoais poderão impedir que o povo iraniano conquiste seus direitos. Tenho certeza de que no final saberemos que as eleições foram roubadas e que causaram os sangrentos enfrentamentos", afirmou.

Moussavi convocou os iranianos a continuarem com os protestos, mas sempre "dentro da lei e respeitando os princípios da revolução islâmica".

O líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, exigiu na sexta-feira passada que a oposição pusesse um fim imediato às manifestações e advertiu que seus dirigentes seriam considerados os responsáveis, caso houvesse derramamento de sangue. EFE jm-msh/pd

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