Ahmadinejad diz que mídia estrangeira espalha propaganda contra Irã

O presidente iraniano reeleito no sábado, Mahmoud Ahmadinejad, acusou a mídia internacional de espalhar propaganda contra o Irã e descreveu as eleições presidenciais de sexta-feira como um modelo para o mundo. Em uma entrevista coletiva neste domingo, o líder iraniano disse que o pleito foi um momento épico, insistiu que a votação foi livre e acusou a mídia internacional de não querer aceitar sua vitória esmagadora.

BBC Brasil |

"Quarenta milhões de pessoas participaram da votação. Como eles podem questionar isso?" indagou Ahmadinejad.

Ele também criticou os opositores que contestaram sua vitória, afirmando que eles estavam "perturbados" por não terem obtido os resultados que desejavam.

O presidente disse que os candidatos da oposição tem até o fim deste domingo para apelar contra o resultado da votação junto ao Conselho de Guardiães do Irã.

Questionado sobre o programa nuclear iraniano, Ahmadinejad disse que este debate "pertence ao passado", e afirmou que o Irã "abraçou" a ideia de um esforço internacional para eliminar armas nucleares.

As atenções agora se voltam para um grande comício da vitória, do qual Ahmadinejad deverá participar na tarde deste domingo nas ruas de Teerã.

Prisões
Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, o clima é de calma nas ruas do centro da cidade, mas há relatos de confrontos entre manifestantes e policiais nos arredores do prédio da agência estatal de notícias Irna, e em um dos subúrbios da capital.

Há também informações de que o escritório do canal de TV árabe al-Arabiya, financiado pelo governo saudita, tenha sido fechado "por razões desconhecidas", segundo informou o canal.

O serviço de telefonia celular foi restabelecido, mas há relatos de que o de mensagens de texto ainda não tenha voltado ao normal. O acesso a vários websites, inclusive o da BBC em inglês continua restrito.

Durante a noite, cerca de cem membros de grupos reformistas do Irã, incluindo dirigentes, teriam sido presos, acusados de orquestrar os protestos violentos que tomaram as ruas de Teerã no sábado, após o anúncio da reeleição do presidente.

Partidários do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi, foram levados de suas casas durante a noite, entre eles Reza Khatami, irmão do ex-presidente Mohammad Khatami, um ex-porta-voz do governo e um ex-vice-líder do parlamento.

A agência estatal de notícias iraniana Irna acusou alguns dos detidos de "orquestrar a violência que se espalhou pela capital no sábado".

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