Ahmadinejad diz que Israel planejava atacar Gaza

O presidente iraniano critica o Conselho de Segurança das Nações Unidas e elogia postura de Brasil e Turquia

EFE |

Teerã - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou neste domingo que Israel planejava atacar a Faixa de Gaza durante o próximo mês do Ramadã e criticou a política de "dois pesos e duas medidas" que, segundo ele, pratica o Conselho de Segurança da ONU em relação ao Irã e a Israel.

Em entrevista concedida à emissora estatal, o líder elogiou a postura do Brasil e da Turquia na polêmica nuclear e ressaltou que as duas nações demonstraram que se pode enfrentar os Estados Unidos, um país que, para ele, "está à beira do colapso". "Temos dados concretos que, antes do assunto da frota, (os israelenses) planejavam atacar Gaza pela segunda vez durante o mês do Ramadã para se recuperar dos fracassos passados. Agora este plano foi danificado, mas eles seguem com sua maldade", afirmou.

Além disso, Ahmadinejad voltou a questionar o Holocausto e insinuou que Israel iniciou um caminho rumo a seu total desaparecimento. "Agora, o mundo inteiro duvidará da ocupação israelense na Palestina, que se prolongou por mais de 60 anos."

O líder foi especialmente crítico com o Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao qual acusou de ser um instrumento em mãos de países "arrogantes". Ahmadinejad elucidou o que para ele representa uma contradição, quando, por um lado, a ONU pune o Irã "por nada" e, por outro, evita condenar Israel pelo sangrento ataque ao comboio naval com ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

"Este Conselho (de Segurança) não reagiu contra o ataque aos navios de ajuda humanitária em águas internacionais, mas aprovou uma nova resolução contra o Irã, quando não houve novidade alguma sobre seu caso nuclear", disse. "Após esta resolução, o Conselho de Segurança perdeu sua credibilidade".

Ahmadinejad também dedicou uma grande parte de sua entrevista a elogiar a denominada "declaração de Teerã", assinada no último 17 de maio junto ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. O documento prevê a troca de combustível nuclear do Irã fora do território do país. Segundo o texto, Teerã se compromete a enviar 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido (3,5%) ao exterior para, um ano depois, receber de volta 120 quilos do material enriquecido a 20%, para um reator iraniano de pesquisas médicas.

No âmbito interno, o líder iraniano voltou a assegurar que as eleições de um ano atrás foram justas e as mais livres da história da democracia iraniana.

Este pleito, cujo resultado suscitou uma grande onda de protestos e foi denunciado como "fraudulento" pela oposição, foram "um ponto de partida na grande evolução do mundo e no começo da globalização do Irã", disse. Além disso, Ahmadinejad comentou a questão das mulheres no Irã e a polêmica gerada na sociedade pelo surgimento de patrulhas de moralistas que abordam casais nas ruas para verificar se eles são casados ou parentes próximos.

Segundo ele, essas patrulhas não estão relacionadas com o Governo e não deveriam funcionar, pois "ninguém pode perguntar sobre a relação entre uma mulher e um homem que estão passando pela rua".

O governante iraniano, em cujo mandato se intensificou a opressão contra as mulheres que não cumprem as normativas islâmicas de vestimenta, acrescentou que seu Governo agirá contra aquelas mulheres que tentam, de forma organizada, prejudicar os valores culturais da sociedade.

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