Ahmadinejad diz que Irã não fabrica armas nucleares

Washington, 28 jul (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, assegurou hoje, em entrevista exclusiva a uma rede de televisão americana, que Teerã não está fabricando armas nucleares porque não acredita nelas e porque neste século elas não fazem sentido.

EFE |

"Não estamos fabricando uma bomba. Não acreditamos em bombas nucleares", disse Ahmadinejad em entrevista à rede "NBC", que antecipou hoje um trecho da mesma.

"As bombas nucleares pertencem ao século XX e vivemos em um novo século", insistiu o governante nos jardins do palácio presidencial em Teerã.

As declarações foram feitas depois que o próprio Ahmadinejad tivesse anunciado no sábado que o Irã possui entre cinco e seis mil centrífugas para o enriquecimento de urânio, quase o dobro das que tinha em abril passado.

O governante iraniano ressaltou que a história demonstrou que as armas nucleares não ajudaram os países a conseguir seus objetivos políticos, como no caso da antiga União Soviética.

No entanto, quando questionado se a mensagem do Irã ao mundo é de confronto ou de cooperação, Ahmadinejad preferiu não responder e aludiu à postura americana.

"Esta é a pergunta que eu faço aos Estados Unidos", disse.

"Durante mais de 50 anos a política dos EUA foi a de confronto com os iranianos (...), mas hoje vemos um novo comportamento dos EUA.", afirmou Ahmadinejad em referência à presença do número três do Departamento de Estado, William Burns, na reunião do último dia 19 em Genebra.

Nesse encontro, em Genebra, com o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, o Irã rejeitou dar uma resposta concreta à oferta dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha, para que abandonasse seu programa nuclear.

A pergunta é, segundo Ahmadinejad, se essa mudança de postura dos EUA "se baseia em uma nova aproximação, em respeito mútuo, cooperação e justiça, ou se é a continuação, disfarçada, do confronto com os iranianos".

"Se é a continuação do velho processo, então os iranianos precisam defender seus direitos e seus interesses. Mas se a postura muda, estaremos em uma nova situação e a resposta dos iranianos será positiva", assegurou. EFE cai/bm/rr

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